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domingo, novembro 8, 2026

Crises das Casas Bahia e Marabraz reacendem risco de aperto no crédito ao varejo

Os pedidos de recuperação judicial das Casas Bahia e da Marabraz, protocolados nesta semana, voltaram a provocar preocupação no mercado financeiro sobre a possibilidade de um novo endurecimento nas linhas de crédito destinadas ao varejo.

O episódio remete ao episódio de janeiro de 2023, quando a descoberta de fraude contábil na Americanas levou bancos e fundos a adotar postura de aversão ao risco, restringindo o fluxo de financiamentos não só para a própria varejista, mas também para fornecedores e concorrentes. Na ocasião, a decisão do sistema financeiro de reduzir o fornecimento de crédito contribuiu para uma queda significativa da oferta ao setor.

Embora as origens das crises sejam distintas, a apreensão é semelhante. A situação da Americanas decorreu da identificação de inconsistências contábeis e de operações de risco sacado não registradas. Já as dificuldades que levaram as Casas Bahia à recuperação judicial estão ligadas a fatores macroeconômicos, em especial ao efeito dos juros elevados sobre um modelo de negócios fortemente baseado em vendas parceladas.

Documentos apresentados pelas Casas Bahia ao Judiciário apontam que instituições financeiras figuram entre os maiores credores da companhia. A lista inclui o Banco Digio (ligado ao Bradesco), como principal credor, com R$ 2,6 bilhões a receber. Na sequência aparecem o Banco do Brasil, com R$ 2,4 bilhões; o Bradesco, com R$ 1,5 bilhão; a Riza Gestora de Recursos, com R$ 803 milhões; e a Redasset Gestão, com R$ 585 milhões.

Impacto passado no crédito ao varejo

Dados do Banco Central sobre o período que se seguiu ao anúncio do rombo na Americanas mostram redução do crédito ao segmento. Nos seis meses após a divulgação do problema da Americanas, o total de crédito bancário concedido a empresas do varejo caiu R$ 12 bilhões, e a exposição dos bancos ao setor recuou 5%.

O movimento observou comportamento distinto em outros segmentos: no mesmo intervalo, os empréstimos à construção civil aumentaram 8,4% (um acréscimo de R$ 8,7 bilhões). O crédito para serviços dirigidos às famílias teve leve alta de 0,4%, enquanto a carteira do setor de transportes permaneceu estável, segundo estatísticas do Banco Central.

Com a reaparição de problemas em grandes varejistas, analistas e participantes do mercado monitoram a conduta das instituições financeiras em relação à oferta de crédito ao setor.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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