Descoberta na Margem Equatorial
No sábado, 15 de agosto de 2026, a Petrobras anunciou a identificação de hidrocarbonetos no poço denominado Morpho, situado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e em profundidade aproximada de 2.800 metros. A ocorrência foi registrada na Bacia da Foz do Amazonas, na chamada Margem Equatorial.
Transmissão: YouTube | as plataformas de áudio e (YouTube)
O achado suscitou reação imediata no governo: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a qualificar a descoberta como “passaporte para o futuro” do país. A estatal, porém, alertou que ainda é cedo para confirmar a viabilidade econômica da exploração e que o processo até a produção será demorado.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou que a estimativa é de até sete anos para que o primeiro barril seja extraído em águas da região, caso os próximos passos confirmem o potencial comercial do campo.
Planos, pedidos e questionamentos
Além do anúncio sobre o poço Morpho, a Petrobras solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) licença para perfurar mais três poços na Foz do Amazonas, ampliando a ofensiva da companhia na área. O pedido levou o Ministério Público Federal (MPF) a cobrar explicações do Ibama sobre o processo de avaliação ambiental relacionado às novas autorizações.
Organizações do setor e especialistas também reagiram: o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) descreveu os indícios como “nova fronteira exploratória”. Por outro lado, pesquisadores e grupos ambientais apontam riscos ambientais e climáticos, ressaltando que a região é considerada de extrema sensibilidade ambiental e que avanços na exploração de combustíveis fósseis podem conflitar com compromissos de transição energética.
Debate público e episódio do podcast
O episódio do podcast O Assunto, apresentado por Natuza Nery, tratou do tema com entrevistas e análises. Participaram Felipe Maciel, jornalista especializado em petróleo, gás e energia e sócio-fundador da agência Eixos; e Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do Climainfo e especialista em energia do Observatório do Clima. No programa, Maciel explicou como poderia ocorrer a exploração e comparou o caso brasileiro ao da Guiana, enquanto Watanabe abordou os riscos ambientais.
O podcast O Assunto é produzido por Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Marco Antônio Martins, com colaboração de Thomé Granemann. Desde a estreia em agosto de 2019, o programa acumula mais de 168 milhões de downloads em plataformas de áudio e mais de 14,2 milhões de visualizações no YouTube.
As autoridades, empresas e órgãos ambientais seguem em diálogo sobre os próximos passos para avaliar a viabilidade da exploração e os impactos socioambientais na região.
Com informações de G1




