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domingo, novembro 8, 2026

Países do Golfo aceleram alternativas ao Estreito de Ormuz diante da guerra no Irã

Transmissão: Band

A guerra no Irã levou os principais exportadores de petróleo do Golfo Pérsico a acelerar obras e investimentos para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, rota marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque estão priorizando oleodutos, terminais e reservas fora da região para driblar os riscos crescentes, segundo reportagem do The New York Times.

Antes do início dos ataques militares de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto por dia passavam pelo Estreito de Ormuz. Desde então, bloqueios, minas, ataques com mísseis e o aumento das apólices de seguro reduziram fortemente o tráfego: na semana passada, as exportações pelo estreito caíram para aproximadamente 3,7 milhões de barris por dia, segundo a empresa que monitora o setor, Kpler.

A queda no fluxo não significa o fim das exportações da região. Parte do petróleo segue por rotas alternativas já existentes, sobretudo via oleodutos, e outro volume é embarcado por navios que tentam dificultar o rastreamento, desligando sistemas de localização. Operar na área tem se tornado perigoso: ao menos 17 trabalhadores marítimos morreram, e alguns navios seguem navegando sob risco de ataques com drones. Há ainda relatos de bloqueios impostos por EUA e Irã; Donald Trump afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos (REUTERS).

Nos Emirados, em Fujairah, uma obra para construir um segundo oleoduto paralelo ao atual trabalha em ritmo contínuo. A meta é dobrar a capacidade da rota alternativa para 3,6 milhões de barris por dia, permitindo que quase todo o petróleo terrestre de Abu Dhabi seja embarcado sem atravessar Ormuz. A estatal ADNOC anunciou também investimento de US$ 8,2 bilhões (R$ 42,5 bilhões) na expansão de gás natural e estuda instalar uma planta de GNL na costa leste para evitar o estreito, disse o diretor financeiro Peter van Driel.

Na Arábia Saudita, a Saudi Aramco acelera a expansão do Oleoduto Leste-Oeste, construído na década de 1980 e que tem 1.201 quilômetros até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. A infraestrutura já redirecionou cerca de 7 milhões de barris por dia desde o início das hostilidades; as autoridades trabalham para acrescentar entre 1 milhão e 2 milhões de barris diários à capacidade. A empresa também avalia novo oleoduto paralelo para produtos refinados, afirmou o presidente-executivo Amin Nasser.

Kuwait negocia com países árabes projeto de dutos para o Mar Vermelho ou Omã. Iraque e Jordânia retomaram planos para um oleoduto de até 1 milhão de barris por dia até Aqaba, e o Iraque busca reconstruir uma via que leve petróleo de Kirkuk à costa mediterrânea da Síria. Ao mesmo tempo, redirecionar fluxos para o Mar Vermelho pode trazer novos perigos: ataques do grupo houthi já atingiram embarcações, e na terça-feira (11) seis pessoas morreram em um ataque no local.

Outra tática adotada pelos produtores do Golfo é ampliar estoques fora da região, com capacidade crescente de armazenamento em países como Coreia do Sul, Japão e Índia. A estratégia funciona como seguro: com óleo já estocado do outro lado do Estreito, as vendas aos compradores podem ocorrer sem depender imediatamente de uma travessia pelo ponto de passagem. Analistas, porém, afirmam que abandonar totalmente Ormuz é improvável, dada a vantagem logística e a infraestrutura existente, mas reconhecem que a crise expôs a vulnerabilidade de depender exclusivamente dessa rota.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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