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domingo, novembro 8, 2026

ONU e CICV pedem limites globais a armas autônomas que atacam sem intervenção humana

A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) reforçaram, em 25 de agosto de 2026, o apelo para que Estados adotem proibições e restrições ao uso de armas autônomas — sistemas capazes de identificar e atacar alvos sem controle humano direto, frequentemente chamados de “robôs assassinos”.

O pronunciamento, feito em Genebra, retoma uma iniciativa iniciada três anos atrás e insere o tema nas negociações multilaterais em curso. As organizações não pedem o banimento completo de todas as tecnologias relacionadas, mas solicitam regras claras para regular o desenvolvimento e o emprego desses sistemas.

Segundo a ONU e o CICV, há indícios de que as tecnologias estão em desenvolvimento, mas não há confirmação de uso operacional em combate. As entidades afirmam que é preciso estabelecer limites antes que tais armas se tornem mais amplamente empregadas, com o objetivo principal de proteger civis.

A porta-voz da ONU em Genebra, Alessandra Vellucci, leu uma declaração conjunta assinada pelo secretário-geral António Guterres e pela presidente do CICV, Mirjana Spoljaric, na qual se alerta para o perigo moral de permitir que máquinas selecionem seres humanos como alvos de modo autônomo. No documento, os líderes dizem que, embora as preocupações não tenham mudado, os riscos associados aumentaram.

As duas instituições ressaltam que o avanço acelerado de tecnologias militares pressiona as normas internacionais vigentes e amplia a distância entre as capacidades técnicas e a regulação jurídica. A declaração ainda destaca que a corrida por maior autonomia em sistemas de armamento já está em andamento, o que, na visão das organizações, exige respostas urgentes.

O apelo ocorre antes de uma reunião prevista para novembro em Genebra, dedicada ao fortalecimento da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCW), que reúne países para discutir restrições a armamentos considerados particularmente preocupantes. ONU e CICV veem esse fórum como o caminho mais concreto para a criação de regras internacionais obrigatórias sobre armas autônomas.

O debate sobre restrições às tecnologias autônomas ganhou intensidade com o uso crescente de drones e outros sistemas não tripulados em conflitos recentes, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, além de confrontos no Oriente Médio, no Sudão e em outras regiões. Em parte, veículos terrestres robóticos na Ucrânia têm sido utilizados para transporte de equipamentos, abastecimento de tropas e evacuação de feridos, medidas que visam reduzir a exposição de soldados. O governo ucraniano também busca expandir o uso de sistemas robóticos armados para aliviar a pressão sobre a infantaria, embora esses projetos ainda tenham alcance limitado.

As organizações lembram ainda que cientistas e engenheiros envolvidos no desenvolvimento dessas tecnologias também têm pedido restrições, e que 2026 precisa marcar uma mudança na direção das negociações internacionais sobre o tema.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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