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domingo, novembro 8, 2026

Setor de fertilizantes pede R$ 2 bilhões ao governo por três meses devido à guerra no Irã

Indústria solicita subvenção para conter alta de preços e risco à produtividade

A indústria brasileira de fertilizantes está negociando com o governo federal a criação de um programa de subvenção de R$ 2 bilhões, com duração prevista de três meses, para compensar o impacto das recentes elevações nos preços dos insumos provocadas pela guerra no Irã. A medida tem por objetivo permitir que os produtores rurais continuem adquirindo adubos a preços compatíveis, evitando perdas mais amplas para o setor agropecuário e para a economia.

Segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no Brasil e no Paraguai, a proposta foi levada a autoridades federais e busca reduzir o custo do enxofre — matéria-prima que integra a produção de fertilizantes fosfatados — cujo escoamento mundial foi afetado por interrupções no Estreito de Ormuz. Estima-se que cerca de 60% da produção global de enxofre passe por essa rota marítima, o que torna o fornecimento especialmente vulnerável às instabilidades na região.

Monteiro afirmou, em evento do setor em São Paulo, que a demanda por um suporte governamental segue lógica semelhante às subvenções já concedidas ao setor de combustíveis pelo governo brasileiro. Ele também lembrou que a Mosaic, líder no mercado doméstico, anunciou em julho medidas temporárias, incluindo redução da produção e hibernação de unidades de fertilizantes fosfatados no país, em resposta às restrições de oferta de enxofre.

O executivo alertou para uma perspectiva de queda no consumo nacional de fertilizantes em 2026: especialistas do setor projetam recuo de um recorde de cerca de 49 milhões de toneladas em 2025 para uma faixa entre 42 milhões e 45 milhões de toneladas neste ano. A expectativa de menor aplicação de adubos pode prejudicar a produtividade das safras de soja e milho 2026/27, cuja semeadura começa em setembro.

Além da alta nos preços, a indústria enfrenta redução do poder de compra dos produtores, com margens menores, restrição de crédito e juros elevados. Conforme Monteiro, isso já refletiu nas importações brasileiras de insumos, que caíram aproximadamente 10% no acumulado do ano até julho e registraram retração de cerca de 50% em agosto até o momento.

O setor afirma que, embora estoques comprados antes do conflito tenham amenizado impactos imediatos, a situação pode se agravar se o impasse no Oriente Médio persistir. A empresa alertou ainda para possíveis efeitos em cadeia na economia: projeções internas apontam que a não adoção da subvenção poderia resultar em perda de receitas públicas entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões, e que cada R$ 1 aplicado na medida poderia evitar entre R$ 10 e R$ 15 de prejuízo adicional à economia.

O tema está sendo tratado em uma “sala de situação” que envolve os ministérios da Agricultura, Minas e Energia, Casa Civil e da Fazenda, mas até agora não há definição sobre a implementação do programa. Monteiro acrescentou que mesmo se o conflito no Irã fosse resolvido imediatamente, a normalização do abastecimento poderia levar cerca de 12 meses, já que outros fornecedores, como China e Rússia, vêm restringindo oferta, e instalações russas têm sido atingidas por ataques ucranianos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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