Entenda o fenômeno
Uma brincadeira que tem viralizado nas redes sociais entre crianças — o chamado “fantasminha” de papel que, ao ser incendiado na ponta, levanta voo até o teto — se baseia em princípios físicos conhecidos, e não em qualquer mistério sobrenatural. A prática é uma variação de antigos experimentos similares, citados desde a década de 1980 como “galinha preta” ou “balão de jornal”.
Dois fatores principais explicam por que o pedaço de papel sobe: a formação de uma corrente de convecção do ar e a redução da massa do papel durante a combustão.
Convecção do ar
A chama aquece o volume de ar ao redor e dentro da estrutura tubular de papel, tornando esse ar mais quente e, portanto, menos denso que o ar frio ao redor. Com menos moléculas por dado volume, o ar aquecido tende a subir e cria um fluxo ascendente. Esse movimento puxa ar frio para ocupar o espaço deixado, estabelecendo uma corrente contínua — a convecção — que atua como uma força de empuxo de baixo para cima.
O professor Fred Zenorini, autor do livro Física no Fusca, explica que esse padrão gera um “fluxo de sucção”: o ar quente sobe, reduzindo a pressão abaixo dele, e o ar mais frio entra para preencher o espaço, gerando a força que pode vencer o peso do papel.
Perda de massa do papel
A queima transforma a celulose do papel em gases como dióxido de carbono e vapor d’água, que se dispersam, reduzindo a massa do pedaço de papel. Segundo o professor Caio Brito, autor de Física do Sistema de Ensino pH, o efeito observado é consequência da combinação desses dois fenômenos: sem a diminuição de massa provocada pela combustão, a corrente ascendente talvez não fosse suficiente para erguer o papel.
Como reproduzir com segurança
Professores recomendam escolher um papel leve, mas que não incinere tão rápido que impeça a formação da corrente de convecção — exemplo citado é uma folha de papel higiênico desmembrada em camadas finas ou um saquinho de chá vazio. A montagem usa um prato como base e uma chama na parte superior do “fantasminha” criada com isqueiro.
As orientações de segurança incluem evitar locais com vento, não permitir que crianças façam a experiência desacompanhadas e manter distância de cortinas e materiais inflamáveis, pois o objeto pode voar em direção imprevisível.
O experimento combina, portanto, princípios térmicos e mudanças químicas do papel para produzir o efeito de subida — uma demonstração simples de convecção e perda de massa pela combustão.
Com informações de G1




