A taxa média de inadimplência registrada pelos bancos nas operações de crédito subiu de 4,6% para 4,9% entre junho e julho, atingindo o maior patamar desde o início da série histórica revisada pelo Banco Central, em março de 2011. O indicador divulgado pelo BC considera os contratos com atraso superior a 90 dias, abrangendo pessoas físicas e jurídicas.
Na ponta das pessoas físicas, a inadimplência avançou de 5,4% em junho para 5,8% em julho, elevando-se ao maior nível da série histórica. Entre as empresas, o índice passou de 3,2% para 3,3% no mesmo período, alcançando o maior valor desde outubro de 2017, quando estava em 3,4%.
O aumento ocorreu no mês seguinte ao início do programa de renegociação de dívidas denominado “Novo Desenrola Brasil” ou Desenrola 2.0, que começou em maio. Segundo o Ministério da Fazenda, até o fim de junho o programa havia renegociado mais de R$ 22 bilhões em débitos e realizado cerca de 3,6 milhões de renegociações. Com essas negociações, a dívida vinculada ao programa teria recuado de R$ 22 bilhões para cerca de R$ 4 bilhões.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo decidiu prorrogar o prazo de adesão ao Desenrola 2.0 até 31 de agosto; sem a extensão, o programa encerraria no começo de agosto.
Além da elevação da inadimplência, os indicadores de endividamento permaneceram em patamar elevado nos dados mais recentes disponíveis. O Banco Central apontou que, em maio — última leitura divulgada desse indicador — os níveis seguiram altos, apesar de uma leve queda. A relação entre o saldo das dívidas das famílias e a renda acumulada em doze meses ficou estável em 49,8% em junho.
Levantamento da Serasa Experian mostra que, em março, 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados, o que corresponde a 49% da população. A empresa também informou que, dos débitos que totalizaram R$ 557,7 bilhões em março, 47% estavam concentrados em instituições financeiras — parcela que está no foco do programa Desenrola 2.0.
Os números divulgados pelo Banco Central e os dados da Serasa evidenciam que, mesmo com a ação de renegociação do governo, a inadimplência bancária seguiu em alta no mês de julho.
Com informações de G1




