Meta, controladora do Facebook e do Instagram, concordou em um acordo bilionário nos Estados Unidos depois de ser processada por estados que a acusam de projetar suas plataformas para gerar vício entre crianças e adolescentes. O pagamento anunciado na quarta-feira (26) pode chegar a US$ 18 bilhões a 47 estados, além do Distrito de Columbia e territórios americanos, com um acordo separado de US$ 1 bilhão fechado com o Texas.
As ações judiciais e decisões de diferentes países sustentam que modelos de negócio e interfaces das redes sociais priorizam o engajamento acima da segurança de usuários jovens, contribuindo para problemas como dependência, automutilação e suicídio. Em relatório divulgado, documentos internos da Meta de 2021 teriam apontado ligações entre o uso do Instagram e preocupações com imagem corporal e saúde mental entre adolescentes.
Em outro movimento recente, no início do mês 29 estados — entre eles Califórnia, Colorado e Nova Jersey — havia processado a Meta por supostamente projetar produtos que viciam usuários jovens. A empresa chegou à oferta de compensação após essas investigações e ações coordenadas.
O acerto também prevê medidas práticas, como a implementação de limites de uso e o bloqueio do acesso de adolescentes aos aplicativos durante a noite. A pressão regulatória ocorre em meio a receitas publicitárias recorde: a Meta registrou US$ 196,2 bilhões em receita com publicidade no ano passado.
Pesquisas e testes que embasam as críticas incluem estudos que ligam o uso de redes sociais por adolescentes ao aumento de ansiedade, depressão e insatisfação corporal; dados da Sensor Tower mostram que adolescentes americanos passaram cerca de 90 minutos por dia no TikTok em 2025. Em 2023, testes da Anistia Internacional indicaram que o algoritmo do TikTok pode recomendar conteúdos relacionados à depressão e à automutilação para quem busca material sobre saúde mental.
Nos Estados Unidos, cresce o apoio bipartidário a regras mais rígidas para proteger crianças, como a Lei de Segurança Online para Crianças (KOSA), que prevê padrões de segurança mais restritivos por padrão para menores e ferramentas ampliadas para os pais. O psicólogo social Jonathan Haidt afirmou ao podcast The Conversation, da revista Politico, estar otimista quanto à aprovação de legislação importante na próxima sessão do Congresso.
No Brasil, o tema também avançou: em 2025 o governo sancionou o ECA Digital, que amplia responsabilidades das plataformas na proteção de crianças e adolescentes, e o Supremo Tribunal Federal adotou interpretação mais incisiva do Marco Civil da Internet (em vigor desde 2014) sobre o dever de cuidado das redes sociais.
Pesquisas sobre alternativas de mercado indicam interesse em modelos sem publicidade. Em 2024, estudo de Cornelia Sindermann, professora da Universidade Charlotte Fresenius, mostrou que mais da metade dos adultos e cerca de dois terços dos adolescentes aceitariam pagar por versões de redes sociais com proteções mais robustas. A Meta, por sua vez, tem testado opções de assinatura no Facebook e no Instagram nos 27 países da União Europeia e no Reino Unido.
Analistas apontam ainda que investimentos massivos em inteligência artificial complicam a regulação: plataformas que reúnem dados para desenvolver IA criam novos produtos difíceis de encarar com as mesmas regras aplicadas às redes sociais, ampliando preocupações sobre a influência dessas tecnologias na vida humana.
Com informações de G1




