A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta quarta-feira (2) que Benjamin Steinbruch deixará a função de presidente executivo e ocupará a cadeira de presidente do Conselho de Administração. A partir de quinta-feira (3), Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale, assume a presidência executiva da companhia.
Schvartsman retorna ao comando de uma das maiores empresas brasileiras sete anos depois de deixar a Vale, onde esteve à frente até 2019. O executivo tem formação em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Ao longo da carreira, Schvartsman atuou por 10 anos na Duratex e por 22 anos no Grupo Ultra, onde exerceu os cargos de sócio-diretor da Ultra S.A. e diretor financeiro da holding Ultrapar, deixando o grupo em 2007. Posteriormente, chefiou a Telemar Participações e a San Antonio Internacional. Em 2011, assumiu a presidência da Klabin, posição que ocupou até 2017, quando foi nomeado para liderar a Vale.
Na Vale, tomou posse como presidente executivo em 23 de maio de 2017, aos 63 anos, sucedendo Murilo Ferreira, e liderou iniciativas para reorganização da companhia, com foco em uma carteira adequada ao Novo Mercado da bolsa. Durante sua gestão, a empresa ampliou investimentos em segurança de barragens e revisou controles de risco em parceria com a consultoria Deloitte, além de adotar a diretriz conhecida como “Mariana nunca mais”, em referência ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.
O mandato de Schvartsman na Vale foi interrompido após o rompimento da Barragem I da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro de 2019, desastre que causou 270 mortes e grandes danos ambientais. Cerca de um mês depois do colapso, o executivo deixou a presidência da empresa, e Eduardo Bartolomeo foi escolhido como seu sucessor ainda em 2019. Em 28 de março de 2019, Schvartsman prestou depoimento à CPI do Senado que investigava o episódio, afirmando que a Vale contava com laudos de estabilidade de auditorias externas e que não havia informações sobre risco iminente, além de informar que a empresa realizava pagamentos emergenciais às vítimas.
Os desdobramentos jurídicos relacionados a Brumadinho continuam. Em janeiro de 2023, o Ministério Público Federal denunciou Schvartsman e outras 15 pessoas, e a Justiça Federal aceitou a acusação, tornando-o réu por homicídio duplamente qualificado, com dolo eventual, além de crimes ambientais. Em março de 2024, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região concedeu habeas corpus e determinou o trancamento das ações penais, decisão que foi objeto de recurso do MPF ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em abril de 2026, a Sexta Turma do STJ, por maioria, restabeleceu os processos, e em 7 de maio de 2026 Schvartsman foi formalmente reincluído nas ações pela Justiça Federal. Seu caso foi separado em duas ações: uma exclusiva por homicídio e outra por crimes ambientais.
Com a nomeação, a CSN inicia nova etapa de sua administração executiva com Fábio Schvartsman à frente, enquanto Benjamin Steinbruch passa a liderar o Conselho de Administração.
Com informações de G1




