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quinta-feira, setembro 17, 2026

Qualidade do sono é o principal fator ligado ao desempenho escolar e à saúde mental de adolescentes, aponta estudo

Qualidade do sono tem maior associação com saúde mental e desempenho escolar

Um estudo veiculado na revista Psychological Medicine concluiu que a qualidade do sono é o fator de estilo de vida mais fortemente associado a sintomas de saúde mental e ao funcionamento escolar em adolescentes. A análise usou dados de jovens de 10 a 13 anos participantes do estudo Adolescent Brain Cognitive Development, conduzido nos Estados Unidos.

Os pesquisadores examinaram quatro hábitos — qualidade do sono, tempo de tela, atividade física e alimentação — para verificar quanto cada um explicava as ligações observadas entre sintomas de depressão, ansiedade, experiências semelhantes à psicose e rendimento acadêmico.

Segundo os resultados, a qualidade do sono respondeu por 18,5% das associações com depressão, 36,3% das associações com ansiedade e 8,3% das ligações com perturbações de caráter psicótico. Esses números colocaram o sono à frente dos demais fatores avaliados.

O tempo de tela apareceu como o segundo fator mais relevante, contribuindo com 5% da associação entre ansiedade e funcionamento acadêmico, 6,3% na relação com depressão e 6,2% no vínculo com experiências semelhantes à psicose. Atividade física e alimentação apresentaram efeitos menores nas associações analisadas.

Jason Smucny, primeiro autor do estudo e neurocientista computacional do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade da Califórnia, afirmou que a equipe se surpreendeu com a predominância do sono em relação aos outros hábitos, em especial quando comparado ao tempo de tela.

Os autores ressaltam que a investigação aplicou modelos de mediação, ou seja, avaliou quanto esses hábitos ajudam a explicar as associações entre sintomas de saúde mental e desempenho escolar, sem atribuir causalidade direta. Em outras palavras, noites mal dormidas ou excesso de tempo em telas não são apresentados como causas únicas de baixo rendimento acadêmico, mas como potenciais contribuintes.

A equipe também destaca que a adolescência é um período sensível do desenvolvimento, quando problemas de saúde mental podem emergir e estar relacionados a uma pior qualidade do sono. Em função disso, os pesquisadores sugerem que intervenções futuras investiguem se mudanças nesses hábitos podem melhorar o funcionamento acadêmico e social dos jovens.

Tara Niendam, autora sênior do estudo e professora de Psiquiatria que dirige programas de psicose precoce na Universidade da Califórnia, observou que rotinas de sono saudáveis podem ser uma medida prática para apoiar o bem-estar emocional e o funcionamento diário de crianças e adolescentes, embora não substituam tratamento profissional quando questões de saúde mental já estão estabelecidas.

Os autores alertam que, apesar da relevância dos hábitos de sono e da limitação do tempo de tela para a qualidade de vida, o acompanhamento por profissionais de saúde continua essencial em casos de transtornos mentais ou sintomas persistentes.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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