O Brasil apresenta a maior desigualdade de desempenho em leitura entre estudantes de diferentes níveis socioeconômicos na América Latina e no Caribe, segundo análise do Instituto de Evidência Educativa a partir dos resultados do Pisa 2025.
O levantamento indica que 67% dos alunos pertencentes ao quartil de menor renda não atingem o nível 2, considerado pelo Pisa como patamar mínimo de competência leitora. Entre os estudantes do quartil mais rico, 26% se encontram abaixo desse mesmo nível. Conforme o relatório, a proporção de jovens que não alcançam o nível mínimo é 2,5 vezes maior no grupo de menor nível socioeconômico.
Na média de pontuação em leitura, os 25% de estudantes com menor condição econômica obtiveram 375 pontos em 2025. Já os 25% mais favorecidos registraram média de 462 pontos, uma diferença de 93 pontos entre os extremos econômicos — distância superior à verificada nos demais países da região participantes da prova.
Romina Durán, chefe de pesquisa do Instituto de Evidência Educativa, ressalta que o Pisa 2025 demonstra que a leitura continua sendo um desafio em grande parte da América Latina e do Caribe. O documento aponta que, em 10 dos 13 países avaliados, pelo menos metade dos estudantes de 15 anos está abaixo do nível 2, e que, entre os 12 países com dados comparáveis, nenhum mostrou melhora estatisticamente significativa em relação a 2022.
Definição do nível mínimo e desempenho nacional
O Pisa define o nível 2 como o limiar mínimo de competência em leitura. Estudantes nesse patamar devem ser capazes de identificar a ideia central de textos de extensão moderada, localizar informações com base em critérios explícitos e realizar comparações ou reflexões sobre o propósito e a forma das produções textuais.
Quanto à média nacional, a pontuação do Brasil em leitura foi de 408 pontos em 2025, contra 410 em 2022 — variação de dois pontos considerada não estatisticamente significativa. Apesar da estabilidade média, a diferença entre os estudantes mais pobres e os mais ricos aumentou de 88 para 93 pontos, conforme observou Fiorella Santini, analista de dados do Instituto de Evidência Educativa, ao destacar que a manutenção da média nacional não implica igualdade na distribuição das aprendizagens.
Entre as áreas avaliadas pelo Pisa 2025 (ciências, matemática, leitura e resolução de problemas com ferramentas computacionais), a leitura foi a competência em que o Brasil mais se aproximou da média da OCDE, embora ainda distante do ideal. Com 408 pontos, o país ficou na 52ª posição entre 89 participantes, empatado com México e Albânia.
No ranking mundial de leitura, Singapura liderou com 535 pontos. Em seguida aparecem as regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang com 527 pontos; Taiwan com 508; Japão com 503; e Macau e Coreia do Sul, ambos com 501 pontos.
O estudo destaca a necessidade de iniciativas que conectem a alfabetização inicial ao desenvolvimento contínuo das competências de leitura ao longo da trajetória escolar.
Com informações de G1




