Quem: professores da educação básica no Brasil, segundo a 2ª Pesquisa Apagão dos Professores, realizada pelo Instituto Semesp.
O que: o levantamento traz a remuneração média por etapa de ensino e por disciplina, além de indicadores sobre desafios da carreira, insatisfação profissional e comparação internacional de salários e progressão.
Quando: os valores de remuneração referem-se a 2025; a comparação internacional utiliza dados de 2024 do relatório Education at a Glance 2025, da OCDE.
Remuneração média por etapa de ensino (professor de nível superior)
Educação Infantil (0 a 3 anos): R$ 5.105
Educação Infantil (4 a 6 anos): R$ 5.307
Ensino Fundamental I: R$ 6.166
Ensino Fundamental II (média): R$ 5.426
Ensino Médio: R$ 6.574
Salários médios por disciplina
Ensino Fundamental II (média: R$ 5.426)
Ciências Exatas e Naturais: R$ 5.930
Educação Artística: R$ 5.355
Educação Física: R$ 4.801
Geografia: R$ 4.801
História: R$ 5.179
Língua Estrangeira Moderna: R$ 4.964
Língua Portuguesa: R$ 6.198
Matemática: R$ 5.029
Ensino Médio (média: R$ 6.574)
Artes: R$ 4.994
Biologia: R$ 4.916
Disciplinas Pedagógicas: R$ 7.294
Educação Física: R$ 5.180
Filosofia: R$ 4.082
Física: R$ 4.433
Geografia: R$ 5.718
História: R$ 5.661
Língua e Literatura Brasileira: R$ 4.941
Língua Estrangeira Moderna: R$ 5.545
Matemática: R$ 5.726
Psicologia: R$ 4.990
Química: R$ 4.470
Sociologia: R$ 4.695
O levantamento destaca que, em 2025, professores de Filosofia do ensino médio receberam, em média, R$ 4.082 por mês, enquanto a média em disciplinas pedagógicas chegou a R$ 7.294. Considerando o ensino médio como um todo, a remuneração média de R$ 6.574 representa cerca de 80% da renda média de trabalhadores com ensino superior completo no país (R$ 8,1 mil).
Desafios para atração e permanência
A pesquisa aponta que 58,3% dos docentes listaram a baixa remuneração entre os principais problemas. A questão mais citada foi a falta de valorização e estímulo à carreira, mencionada por 74,8% dos entrevistados. Outros desafios apontados incluem falta de disciplina e interesse dos alunos (62,8%), ausência de apoio e reconhecimento da sociedade (61,3%) e baixo envolvimento das famílias (59%).
O levantamento também sinaliza insatisfação: 79,4% dos professores disseram já ter pensado em desistir da carreira, enquanto apenas 5% se declararam motivados e confiantes quanto ao futuro profissional.
Renovação do quadro e comparação internacional
Entre 2015 e 2025, a participação de professores do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1%, ao passo que o grupo com 60 anos ou mais cresceu 104,5%, evidenciando um desafio de renovação.
Em termos anuais ajustados por paridade de poder de compra, um professor do ensino médio em início de carreira no Brasil recebia, em 2024, o equivalente a US$ 24,5 mil. Esses números são inferiores aos registrados em outros países citados pela OCDE: Chile (US$ 31 mil), Coreia do Sul (US$ 37,8 mil), Portugal (US$ 41,3 mil), Finlândia (US$ 48,9 mil), Canadá (US$ 50,1 mil), Austrália (US$ 57,5 mil) e Dinamarca (US$ 59,8 mil).
A pesquisa destaca também a diferença nas trajetórias salariais entre países: na Coreia do Sul, por exemplo, o salário anual passa de US$ 37,8 mil no início para US$ 65,8 mil após 15 anos e pode chegar a US$ 104,8 mil no topo; na Austrália, vai de US$ 57,5 mil para US$ 81,8 mil após 15 anos, chegando a US$ 93 mil; no Canadá, sobe de US$ 50,1 mil para US$ 87,3 mil em 15 anos. O Instituto Semesp interpreta esses dados como indicação de que a atratividade da carreira depende não só do salário inicial, mas também das perspectivas de progressão profissional e salarial.
Com informações de G1




