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sexta-feira, setembro 18, 2026

IFI prevê rombo de R$ 86,1 bilhões em 2027 e aponta necessidade de bloqueio de gastos

Relatório mostra grande divergência entre IFI e governo sobre resultado fiscal de 2027

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado, divulgou nesta quinta-feira (17) sua projeção para as contas públicas de 2027, estimando um déficit primário de R$ 86,1 bilhões. O número diverge da previsão do Executivo apresentada na proposta orçamentária enviada ao Congresso no fim de agosto, que aponta saldo positivo de R$ 18,6 bilhões.

A diferença entre as duas estimativas soma R$ 104,8 bilhões. O projeto de lei orçamentária anual (PLOA) ainda não foi analisado pelo Congresso Nacional, que deve retomar a discussão após o período eleitoral; tradicionalmente a votação do orçamento ocorre em dezembro.

A previsão da IFI foi elaborada antes do anúncio do governo de reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família, cujo impacto informado pelo Ministério do Planejamento é de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027.

Meta fiscal e margem de tolerância

Na PLOA para 2027, o Executivo propõe meta de resultado primário de R$ 73,2 bilhões, o equivalente a 0,5% do PIB. Porém, segundo as regras do arcabouço fiscal, existe uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que reduz o piso aceitável para um saldo positivo de R$ 36,6 bilhões. Além disso, R$ 64,7 bilhões em gastos com precatórios e projetos nas áreas de defesa, saúde e educação podem ficar fora do limite — exceções previstas em medidas aprovadas nos últimos anos.

Na prática, essas regras permitem que o governo apresente um déficit primário de até R$ 28,1 bilhões sem caracterizar descumprimento formal da meta. A IFI alerta, entretanto, que caso se confirme seu cenário de rombo de R$ 86,1 bilhões, seriam necessárias medidas adicionais de contenção. O órgão calcula um contingenciamento de R$ 35,7 bilhões para alcançar a meta proposta no orçamento, sem considerar ainda a nova despesa de R$ 33,8 bilhões destinada ao Fundo de Compensação aos Estados pela substituição do IPI pelo Imposto Seletivo — gasto que, embora fora do teto de gastos, afeta o resultado primário.

Fontes da divergência nas projeções

A IFI identifica diferenças importantes nos parâmetros macroeconômicos adotados. O governo ancorou o PLOA em uma expectativa de expansão do PIB de 2,5% para 2027, enquanto a IFI projeta crescimento de 1,8% e o mercado, segundo o Boletim Focus, indica 1,5%. Essas variações influenciam diretamente as estimativas de receitas públicas.

Outro ponto de discordância é a massa salarial, que impacta a arrecadação previdenciária: o Executivo estima alta de 10,1% em 2027, contra 7,3% projetada pela IFI. Há ainda incerteza sobre receita condicionada de R$ 42 bilhões ligada ao Imposto Seletivo, cuja lei específica ainda não foi encaminhada ao Congresso.

No lado das receitas, a IFI prevê receitas melhores do que as do governo provenientes da exploração de recursos naturais e de repasses de dividendos de estatais. Em contrapartida, cita diferenças nas estimativas de despesas com previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais.

A IFI considera que os números da proposta orçamentária do governo estão relativamente otimistas, enquanto o Executivo aposta na estratégia de revisão de gastos (spending reviews) para cumprir as metas.

Dívida e risco fiscal

O relatório conclui que o cumprimento da meta fiscal de 2027 é possível “desde que as atuais premissas macroeconômicas se confirmem” e que os bloqueios de gastos necessários sejam efetivados. Ainda assim, a IFI adverte que esse cenário estaria distante do resultado necessário para estabilizar a relação entre dívida pública e PIB. Atualmente, a dívida pública está em 82,5% do PIB, nível elevado em comparação com outros emergentes, e é apontada como pressuradora das taxas de juros e do crescimento econômico.

Analistas consultados pela IFI destacam que déficits fiscais recorrentes elevam o prêmio de risco, contribuem para juros mais altos e aumentam o endividamento público, mantendo um ciclo em que desequilíbrio fiscal e juros elevados se retroalimentam.

O relatório da IFI foi divulgado em 17 de setembro de 2026 e detalha as premissas e cálculos que levaram às projeções apresentadas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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