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terça-feira, outubro 20, 2026

23,3% dos jovens com dificuldade de mobilidade e sem deficiência cognitiva são analfabetos, aponta IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou nesta sexta-feira (18) o estudo “Pessoas com Deficiência (PcD) e as Desigualdades Sociais no Brasil”, que aponta alta prevalência de analfabetismo entre jovens com limitações de mobilidade, mesmo quando não há comprometimento cognitivo.

Entre brasileiros de 15 a 29 anos cuja única limitação está relacionada ao caminhar e ao subir degraus, 23,3% não sabem ler nem escrever. Na mesma faixa etária, a taxa de analfabetismo entre pessoas sem deficiência é de 1%.

O levantamento também mostra que, quando a limitação é associada apenas a funções intelectuais, o percentual de quem não lê nem escreve chega a 40,4%. O IBGE ressalta que identificar quantas dessas pessoas deixaram de ser alfabetizadas por falhas do sistema escolar exigiria análise individual, e reconhece que questões cognitivas podem dificultar a aquisição de leitura e escrita.

Frequência escolar

O estudo apresenta ainda dados sobre a presença de crianças e adolescentes com deficiência na escola. Para indivíduos com deficiência severa — limitações grandes que exigem acompanhamento contínuo, mas com possibilidade de habilidades simples de autocuidado — a frequência escolar é:

  • 95,6% das crianças de 6 a 14 anos estão na escola (versus 98,4% entre sem deficiência);
  • 82,8% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão na escola (versus 85,4% entre sem deficiência).

Para pessoas com deficiência profunda — grau máximo de comprometimento — a presença na escola é menor:

  • 82,3% das crianças de 6 a 14 anos (versus 98,4% dos sem deficiência);
  • 65,6% dos adolescentes de 15 a 17 anos (versus 85,4% dos sem deficiência).

Recursos de acessibilidade nas escolas

O IBGE também levantou a oferta de estruturas e serviços de acessibilidade nas instituições de ensino. A presença de sala de recursos multifuncionais, necessária para o Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno, é de 34,5% nas escolas públicas e de 15,2% nas particulares. O banheiro adaptado para alunos com dificuldade de locomoção aparece em 54,8% das escolas públicas e 64,4% das privadas. A existência de profissional de apoio corresponde a 32,8% das escolas públicas e 4,6% das particulares.

Ensino superior

O acesso ao ensino superior aumentou com a expansão da educação a distância: o número de estudantes com deficiência matriculados em EAD quadruplicou entre 2019 e 2024. Considerando modalidades presencial e a distância, entre 2004 e 2014 as matrículas passaram de 33.377 para 95.572. O IBGE não detalha quantos desses estudantes concluíram os cursos.

A divulgação do estudo traz dados que evidenciam desigualdades no acesso à alfabetização, à permanência na escola e aos recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência no Brasil.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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