O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) foi sabatinado pelo Jornal da Record na terça-feira (22) e falou sobre possíveis intervenções dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro, apresentou propostas para o aproveitamento das terras raras no país e voltou a defender limitações às competências do Supremo Tribunal Federal (STF).
Polarização e estratégia eleitoral
No início da sabatina, Renan Santos disse que a eleição é “confusa” e ressaltou a necessidade de esperança entre os eleitores. Ele afirmou que tem percorrido o país em uma caravana de ônibus para dialogar com a população e disse ver entre a juventude maior identificação com sua candidatura, apontando que o engajamento dos jovens poderia levá-lo ao segundo turno.
O candidato criticou a lógica da “polarização” entre esquerda e direita e repudiou o argumento de “o político que rouba, mas faz”. Segundo Renan, a escolha por candidatos envolvidos em escândalos não pode ser justificada por desempenho público. Ao ser questionado sobre sua falta de experiência na administração pública, afirmou que isso o distancia de envolvimentos em casos de corrupção que, segundo ele, permeiam a classe política.
Riscos de intervenção dos EUA e agronegócio
Renan declarou enxergar risco de intervenção norte-americana nas eleições brasileiras e afirmou ter denunciado publicamente essas ações. Ele citou como exemplo declarações e negociações envolvendo Donald Trump, alegando que haveria intenção de controle sobre o Canal do Panamá e interesse sobre o Brasil.
O candidato também reagiu a afirmações de autoridades dos EUA sobre práticas de trabalho escravo e desmatamento no agronegócio brasileiro, defendendo a certificação do setor e afirmando que há intenção de “destruir o agro brasileiro” para abrir mercado a produtores estrangeiros.
Terras raras e desenvolvimento industrial
Renan destacou a importância das terras raras como insumo estratégico para a industrialização e afirmou que o Brasil não deve se tornar “vassalo” nem da China nem dos Estados Unidos. Ele criticou alegados termos de negociação que, segundo ele, exigiriam entrega de terras raras brasileiras a empresas americanas antes de o país poder licitar e explorar suas reservas.
Defensor de parcerias internacionais e do multilateralismo, Renan propôs que a extração e o beneficiamento desses minerais ocorram no Brasil, de modo que a produção e a tecnologia sejam desenvolvidas localmente, em vez de simplesmente exportar as matérias-primas.
Limitação da atuação do STF
Sobre o Judiciário, Renan Santos defendeu retirar do STF a competência para julgar processos envolvendo políticos com cargos. Propôs medidas como proibir que ministros mantenham escritórios de advocacia vinculados a familiares, estabelecer mandatos de até oito anos e transformar a corte em uma instância focada em questões constitucionais abstratas, reduzindo o espaço para o que chamou de lobby no tribunal.
Ao comentar a atual crise institucional, afirmou que o Judiciário está “destruído” e questionou a autoridade da Suprema Corte. Citou nomes de autoridades e episódios que, segundo ele, evidenciam a necessidade de reformas e de maior independência das instituições de investigação e acusação.
Renan Santos foi o último presidenciável a participar da rodada de entrevistas do Jornal da Record; a série teve início em 15 de setembro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e incluiu outros candidatos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) optou por não comparecer.
Para mais informações sobre as entrevistas e as propostas dos candidatos, acompanhe a cobertura dos veículos de notícias.
Com informações de Paranaibamais




