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sábado, outubro 17, 2026

Formalização atinge recorde em 2025, mas 65% de empregadores e autônomos seguem sem CNPJ, aponta IBGE

O registro de empreendimentos no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) alcançou o maior nível da série histórica em 2025: 35% dos empregadores e trabalhadores por conta própria tinham CNPJ, ante 24% em 2012. Os números constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 23 de setembro de 2026.

O avanço foi mais expressivo entre os trabalhadores por conta própria. Nesse grupo, a cobertura de CNPJ passou de 15% em 2012 para 27,1% em 2025, o maior percentual da série. Entre os empregadores, que já apresentavam maior formalização no início do período, a proporção subiu de 75,6% para 81,1% no mesmo intervalo.

Diferenças por sexo e região

Em 2025, 36,7% das mulheres ocupadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria tinham CNPJ, contra 34,2% entre os homens. A pesquisa também aponta disparidades regionais: o Sul registrou a maior taxa, de 46,7%, seguido pelo Sudeste e Centro-Oeste, ambos com 41,6%. As menores coberturas foram no Nordeste (20,1%) e no Norte (15,6%).

O Centro-Oeste foi a região com maior crescimento desde 2012, com alta de 14,3 pontos percentuais, enquanto o avanço no Sul e no Sudeste foi de 11,2 pontos. No Nordeste a expansão foi de 8,3 pontos e, no Norte, de 3,6 pontos. No conjunto do país, a proporção passou de 24,0% em 2012 para 35,0% em 2025, aumento de 11,0 pontos percentuais.

Atividades econômicas

Entre os trabalhadores por conta própria, o comércio e a reparação de veículos e motocicletas tiveram a maior cobertura de CNPJ em 2025 (36,7%), seguidos por serviços (33,5%), indústria geral (22,8%) e construção (14,8%). A agricultura, pecuária e atividades afins registraram a menor taxa, com 6,5%.

Na categoria empregadores, o comércio também liderou, com 88,2% de registro no CNPJ, seguido por serviços (86,4%) e indústria (84,3%). A construção apresentou a maior evolução entre empregadores, passando de 36,4% em 2012 para 58,2% em 2025, aumento de 21,8 pontos percentuais. A agricultura teve 32,7% dos empregadores com CNPJ.

Escolaridade e formalização

A escolaridade influenciou a formalização. Em 2025, 50,8% dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo tinham CNPJ, a primeira vez em que o percentual ultrapassou 50% na série. Outros indicadores por nível de instrução entre os autônomos: ensino médio completo e superior incompleto, 29,7%; ensino fundamental completo e médio incompleto, 18,6%; sem instrução ou fundamental incompleto, 11,1%. Entre empregadores, 91,8% com ensino superior completo possuíam CNPJ.

Segundo William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE, a relação entre escolaridade e registro no CNPJ está ligada à estruturação do negócio: maior nível de instrução tende a facilitar a compreensão dos custos, da precificação e do funcionamento da empresa. Ele também apontou que parte dos trabalhadores por conta própria forma-se por pessoas que estão iniciando um empreendimento ou que migraram para a atividade após perder ocupação, e que a formalização pode aumentar à medida que o negócio se consolida e contrata funcionários.

Kratochwill ressaltou que, apesar do crescimento, a proporção de trabalhadores por conta própria com CNPJ permanece baixa — 27,1% em 2025 —, o que significa que 72,9% desse grupo não tinham registro. O pesquisador afirmou ainda que a PNAD Contínua não permite avaliar se o aumento dos registros está associado à pejotização, ou seja, se o registro vem sendo usado por empresas para reduzir custos, pois a pesquisa não oferece elementos para afirmar essa hipótese.

Os comparativos históricos apresentados pelo IBGE desconsideram os anos de 2020 e 2021, quando a coleta e divulgação de dados foram afetadas pela pandemia de Covid-19.

O levantamento indica que o registro no CNPJ cresceu entre diferentes perfis de ocupação nos últimos 13 anos, mas que a cobertura permanece desigual por sexo, região, atividade econômica e nível de instrução.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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