O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou nesta quarta‑feira (23) que Washington e Pequim concordaram em estender por dois meses a trégua comercial que expiraria em 10 de novembro, mantendo o acordo em vigor até janeiro.
A prorrogação, segundo Bessent, visa oferecer mais tempo para que os dois países trabalhem na negociação de um possível acordo mais amplo. A declaração foi feita à Fox News logo após a segunda reunião do secretário com o vice‑primeiro‑ministro chinês, He Lifeng, em quatro dias.
Os encontros entre representantes americanos e chineses foram realizados como preparação para a cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, marcada para esta quinta‑feira (24). Xi desembarcou nos Estados Unidos na quarta‑feira para participar do encontro.
Bessent lembrou que a trégua inicial foi acertada em maio em Busan, na Coreia do Sul, e que a extensão de dois meses dará “mais tempo para ver o que podemos fazer na área econômica”. O secretário informou que, durante cerca de 12 horas de negociações realizadas no domingo, a China levantou a possibilidade de um acordo comercial mais amplo, sem detalhar o alcance desse eventual pacto.
De acordo com o Tesouro americano, a reunião desta quarta‑feira durou aproximadamente 90 minutos. Questionado sobre a possibilidade de fechar um acordo até 10 de janeiro, Bessent afirmou à Fox News que ainda não está claro se isso será possível.
O secretário também afirmou que Washington pressiona Pequim a cumprir de forma mais abrangente os compromissos do acordo atual nos próximos meses. Ele disse que a China está atendendo à exigência de comprar 25 milhões de toneladas de soja, mas permanece abaixo da meta de aquisição de US$ 17 bilhões em outros produtos agrícolas. Autoridades americanas apontaram ainda que as entregas chinesas de terras raras estão aquém do esperado.
Para a cúpula de quinta‑feira — a segunda de até quatro encontros previstos entre Trump e Xi neste ano — Bessent indicou que podem ser anunciadas medidas sobre a eliminação de tarifas sobre US$ 30 bilhões em produtos não essenciais, além de temas ligados a serviços financeiros e compras agrícolas. Ele afirmou que o governo americano está aberto tanto a manter o arranjo de Busan quanto a avaliar um acordo mais abrangente, avaliando o que for “melhor para o povo americano”.
Bessent relatou ainda que se reuniu com He na sede do Banco Mundial, em Washington, para tratar de “questões pendentes” antes da cúpula. Ele, He e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, tiveram um encontro em Nova York no domingo para preparar possíveis acordos sobre comércio e inteligência artificial que poderão ser levados aos líderes.
Durante as conversas, os dois lados concordaram em criar uma “linha direta” para comunicar incidentes de segurança relacionados à inteligência artificial, embora a resposta oficial chinesa a essa proposta não tenha sido esclarecida além do reconhecimento de que IA foi discutida, segundo a agência Xinhua. Bessent descreveu as negociações como substanciais e afirmou que o Tesouro busca garantias que protejam trabalhadores, agricultores e empresas americanas, além de interesses econômicos e de segurança nacional.
A trégua econômica acertada em Busan havia reduzido significativamente tarifas bilaterais elevadas após uma escalada de medidas tarifárias no ano anterior, e a China concordou em restabelecer o fluxo de ímãs de terras raras e outros minerais críticos cujas exportações haviam sido severamente restringidas.
Com informações de G1




