Uma mostra montada no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, apresenta o processo criativo do escritor e cartunista Luis Fernando Veríssimo e reúne mais de 300 itens pessoais em homenagem aos 90 anos que ele completaria em 26 de setembro. A entrada é gratuita e expõe rascunhos, desenhos, anotações e originais que documentam cerca de 50 anos de produção do autor.
Entre os documentos em exibição estão cadernos com anotações manuscritas e frases registradas por Veríssimo, como “A passa é a múmia da fruta”. A seleção também inclui charges publicadas em jornais, originais de livros e fotografias que cobrem diferentes momentos de sua trajetória.
Veríssimo, criador de personagens como o analista de Bagé, Ed Mort e a família Brasil, publicou mais de 80 livros, entre eles “Comédias da Vida Privada”, e trabalhou com cartuns e charges que se destacaram pelo humor leve e refinado.
A curadora Isa Pessoa afirmou que a mostra foi planejada para expor ao público as etapas do processo de criação do autor, desde registros do cotidiano até os primeiros traços de personagens que viriam a ser desenvolvidos. Segundo ela, muitos dos cadernos e bilhetes funcionavam como um momento de pré-criação, onde surgiam anotações breves e esboços que depois ganhavam forma.
Parte da montagem foi organizada a partir de frases e trechos ditos pelo próprio Veríssimo. As Cobras, dupla de personagens utilizados para comentar variados temas, ocupam área central da exposição; a curadora explica que Veríssimo optou por esse recurso também por razões práticas, já que o desenho das cobras é simples e funcional.
A exposição traz ainda fotografias da homenagem que o autor recebeu da escola Imperatriz do Samba durante o Carnaval de Porto Alegre, quando desfilou em um carro alegórico. Há também objetos pessoais, como uma flâmula do clube Internacional, time pelo qual Veríssimo era torcedor e que foi tema de sua primeira crônica.
Entre os itens em exibição estão registros de sua infância e imagens ao lado do pai, Érico Veríssimo, além do último desenho feito por ele em março de 2022, entregue à esposa Lúcia, que integra o acervo da mostra. Uma réplica da poltrona vermelha presente na casa da família compõe o espaço dedicado ao jazz, que exibe discos da coleção do autor — Veríssimo tocava saxofone e clarinete e chegou a cogitar seguir carreira musical antes de se dedicar à literatura.
Seu primeiro livro, “O Popular, crônicas ou coisa parecida”, foi publicado quando ele tinha 37 anos. Ao longo da carreira, o autor se consolidou como cronista atento ao cotidiano da classe média, com frases de tom irônico e direto que marcaram sua obra, como “a morte é uma sacanagem, sou totalmente contra”. Veríssimo morreu em agosto do ano passado, aos 88 anos.
Com informações de Uberlandianofoco




