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segunda-feira, outubro 12, 2026

Candidatos apresentam propostas divergentes para enfrentar cinco desafios econômicos do país

Lead — A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, os principais presidenciáveis apresentam caminhos distintos para enfrentar desafios econômicos que vão do equilíbrio das contas públicas às apostas online. O g1 compilou as propostas oficiais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e classificou as principais medidas em cinco temas: bets e apostas online; dívida pública e orçamento; endividamento das famílias; comércio exterior e terras raras; e inflação e juros.

Bets e apostas online

As plataformas de apostas online, legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023, voltaram ao centro do debate após medida provisória anunciada pelo governo federal em setembro para proibir apostas de quota fixa, jogos online e cassinos virtuais. Desde 2025, empresas autorizadas passaram a pagar impostos; naquele ano o governo arrecadou R$ 8,94 bilhões em tributos do setor. Segundo estudo do Comsefaz, as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025, enquanto, segundo outro dado citado, o governo arrecadou R$ 15,3 bilhões em impostos sobre bets desde o início daquele ano. Entidades do setor alertam para a possibilidade de migração a plataformas clandestinas caso haja proibição.

Posições dos candidatos:

  • Augusto Cury (Avante): plano não cita diretamente bets; propõe pautas sobre dependência digital, cidadania digital e gestão emocional nas escolas.
  • Flávio Bolsonaro (PL): propõe proibir uso de recursos de programas sociais em apostas e promover campanhas de orientação financeira pela Caixa.
  • Lula (PT): defende mecanismos de controle do endividamento ligado a apostas, regras mais rígidas para concessão de crédito, ampliação de atendimento em saúde mental e proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
  • Renan Santos (Partido Missão): plano não menciona bets, apostas online ou jogos de azar.
  • Ronaldo Caiado (PSD): defende proibição de publicidade de apostas em meios de comunicação de massa e redes sociais, teto de gastos para apostadores, tratamento para jogo compulsivo e combate a plataformas ilegais.
  • Romeu Zema (Novo): plano não menciona bets ou apostas online.

Dívida pública e orçamento

As contas públicas continuam no centro do debate. Em agosto, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões; no acumulado de janeiro a agosto o déficit primário chegou a R$ 88,9 bilhões. A dívida pública alcançou 82,9% do PIB, equivalente a R$ 11,05 trilhões, o maior nível desde março de 2021. Considerando juros, o déficit em 12 meses até agosto foi de R$ 1,26 trilhão (9,48% do PIB), dos quais R$ 1,18 trilhão corresponderam a juros da dívida.

Analistas ouvidos pelo levantamento destacam que o próximo presidente precisará controlar o crescimento das despesas obrigatórias para reduzir o prêmio de risco e abrir espaço para investimentos. Para 2027, o projeto de Orçamento projeta superávit primário de R$ 18,6 bilhões, meta equivalente a 0,5% do PIB.

Posições dos candidatos:

  • Augusto Cury: diz que reduzirá o déficit até níveis próximos de zero, reduzirá gradualmente a relação dívida/PIB, fará reforma administrativa, redefinirá competências entre União, estados e municípios e usará inteligência artificial contra fraudes e desperdícios.
  • Flávio Bolsonaro: propõe mudar regras fiscais para estabilizar e reduzir a dívida em relação ao PIB, gastar menos do que arrecada, limitar empréstimos com juros subsidiados e cortar despesas não obrigatórias nos três Poderes.
  • Lula: defende manutenção do Novo Arcabouço Fiscal, preservando recursos para saúde, educação e programas sociais; propõe melhorar eficiência dos gastos, revisar benefícios fiscais e aumentar tributação sobre os mais ricos.
  • Renan Santos: critica o Novo Arcabouço Fiscal e propõe uma PEC de Equilíbrio Fiscal com economia projetada de R$ 1,1 trilhão até 2031, desvinculação de benefícios previdenciários e do BPC ao salário mínimo e outras medidas para reduzir renúncias fiscais e revisar gastos.
  • Ronaldo Caiado: defende plano de longo prazo para estabilizar a dívida sem aumentar impostos ou aplicar cortes lineares, limitar crescimento das despesas obrigatórias e revisar subsídios e benefícios tributários.
  • Romeu Zema: propõe ampla redução de despesas, reforma da Previdência, contenção das despesas obrigatórias, revisão das emendas parlamentares, reforma administrativa, privatizações e metas progressivas de redução da carga tributária vinculadas à queda dos gastos.

Endividamento das famílias

O endividamento das famílias atingiu níveis recordes: em julho, 82% dos consumidores tinham alguma dívida a vencer, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). A inadimplência e o custo do crédito permanecem elevados; a taxa média nas operações de crédito subiu de 4,9% para 5% entre julho e agosto, segundo o Banco Central, atingindo o maior nível da série histórica revisada.

Posições dos candidatos:

  • Augusto Cury: propõe criar o Banco do Empreendedor com microcrédito de R$ 2 mil a R$ 20 mil a juros de 5% a 6% ao ano e rever critérios de análise de risco para incluir histórico de pagamento.
  • Flávio Bolsonaro: associa juros e inflação elevados ao aumento de gastos e dívida pública; prevê reduzir juros com reequilíbrio fiscal, oferecer orientação financeira pela Caixa, renegociação de dívidas para mulheres e financiamento estudantil atrelado à renda.
  • Lula: aposta em renegociação por programas como Desenrola Brasil, Novo Desenrola e Desenrola Pequenos Negócios, e defende concessão responsável de crédito como condição para queda sustentada dos juros.
  • Renan Santos: plano não apresenta medidas específicas para renegociação de dívidas das famílias; foco está na dívida pública federal e reestruturação do Estado.
  • Ronaldo Caiado: vincula custo do crédito às contas públicas e propõe reduzir despesas obrigatórias; prevê ainda Crédito Social Acompanhado para pequenos empreendedores e proteção patrimonial a públicos vulneráveis.
  • Romeu Zema: propõe facilitar renegociação e portabilidade pelo Open Finance, modernizar garantias de crédito e criar o “Programa Sócios do Brasil”, com R$ 1.000 investidos ao nascer e saque aos 18 anos.

Comércio exterior e terras raras

Em julho, o governo dos Estados Unidos impôs sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parte dos produtos brasileiros; em alguns casos, as tarifas são cumulativas, chegando a 37,5%. O tema das terras raras — conjunto de 17 elementos essenciais para tecnologias avançadas — também ganhou relevância: o Brasil tem a segunda maior reserva mundial, enquanto a China domina cerca de 70% da produção global. Representantes americanos, segundo o setor, demonstraram interesse em acordos para aquisição de minerais estratégicos do Brasil.

Posições dos candidatos:

  • Augusto Cury: propõe reduzir burocracia para exportadores, restituir impostos pagos por empresas exportadoras, criar cinco corredores e cinco áreas regionais voltadas à exportação.
  • Flávio Bolsonaro: quer estreitar relações comerciais com EUA, Argentina e Israel, mantendo diálogo com China, UE e outros países; defende facilitação de entrada de matérias-primas, equipamentos e tecnologias.
  • Lula: defende o Plano Brasil Soberano para mitigar impactos de barreiras comerciais, buscar novos mercados, fortalecer a indústria e aumentar exportações de maior valor agregado.
  • Renan Santos: propõe política externa pragmática sem alinhamento automático a grandes potências, criação de Zonas Econômicas Especiais e foco em produtos de maior valor agregado como terras raras, hidrogênio verde e tecnologia.
  • Ronaldo Caiado: defende manter relações com diversos países sem alinhamento automático e ampliar processamento de minerais no país antes da exportação.
  • Romeu Zema: propõe saída do Brasil dos BRICS, transformar o Mercosul em zona de livre comércio, retomar processo de entrada na OCDE e reduzir gradualmente tarifas de importação.

Inflação e juros

A Selic está em 13,75% ao ano após cinco cortes do Banco Central em 2026; o mercado financeiro estima novo corte para 13,50% até o fim do ano. A inflação medida pelo IPCA acumulou 4,22% em 12 meses até agosto, acima da meta de 3%.

Posições dos candidatos:

  • Augusto Cury: defende equilíbrio das contas públicas como meio para reduzir inflação e juros; propõe empréstimos com juros de 5% a 6% ao ano para pequenos volumes e medidas para reduzir taxas consideradas excessivas.
  • Flávio Bolsonaro: relaciona inflação e juros ao aumento de gastos e dívida; propõe controle fiscal, limitação de empréstimos subsidiados e redução de impostos sobre combustíveis e energia.
  • Lula: defende manutenção do Novo Arcabouço Fiscal e medidas para criar condições que permitam redução dos juros ao longo do tempo, incluindo aumento de produtividade e estoques estratégicos de alimentos.
  • Renan Santos: atribui a dívida e política fiscal expansionista à pressão sobre inflação e juros e defende ajuste fiscal amplo para permitir queda das taxas.
  • Ronaldo Caiado: propõe plano de longo prazo para controlar as contas públicas, limitar crescimento de gastos e manter autonomia do Banco Central com coordenação entre políticas fiscais e monetárias.
  • Romeu Zema: quer controlar dívida pública, manter superávits e reduzir gradualmente IOF e linhas de crédito subsidiado para criar condições de queda sustentada dos juros.

Analistas consultados ressaltam que fiscal, juros, investimento, produtividade e renda estarão interligados na definição do ritmo de crescimento sustentável da economia brasileira nos próximos anos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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