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segunda-feira, outubro 12, 2026

Progressistas devem unir voto, organização popular e ética para enfrentar a direita radical

Quem e o quê: Pesquisadores e o autor do artigo afirmam que a direita radical no Brasil reúne grupos diversos, e que reduzir milhões de eleitores a um único rótulo impede estratégias democráticas eficazes por parte dos progressistas.

Como se sabe: Estudos e entrevistas citados ajudam a mapear essa heterogeneidade. Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos, Esther Solano relata pesquisas realizadas com Camila Rocha entre eleitores populares de Bolsonaro, que incluem pessoas que antes votaram em Lula e no PT. Esses levantamentos apontam trajetórias, decepções e expectativas distintas entre apoiadores, o que impede tratar todo o apoio bolsonarista como adesão consciente a uma doutrina única.

Ao mesmo tempo, Solano identifica núcleos autoritários no bolsonarismo: construção do adversário como inimigo, agressividade política e ataques a instituições democráticas. A recomendação, segundo o texto, é enfrentar os organizadores do autoritarismo sem considerar irrecuperável toda a população mobilizada por eles; responsabilidade e possibilidade de mudança coexistem.

Origens e intelectuais: O artigo destaca a influência de Olavo de Carvalho na formação de um discurso de combate cultural que via universidades, imprensa e produção intelectual como territórios dominados pela esquerda. Leonardo Seabra Puglia, em estudo publicado na revista Teoria e Cultura, investiga como intelectuais da direita reinterpretaram Gramsci para explicar a realidade brasileira e legitimar intervenção pública.

O próprio Olavo, no texto de 2008 intitulado “Ocupando espaços”, expôs essa visão hostil do gramscismo, associando-o à conquista de posições e à exclusão de adversários. O artigo considera Olavo um articulador relevante, mas ressalta que não se deve atribuir a ele, sozinho, a ascensão da direita radical.

André Singer, em “A reativação da direita no Brasil”, é citado para mostrar que havia predisposições conservadoras no eleitorado antes de 2018, e que Bolsonaro as reativou naquela eleição. A combinação entre predisposições sociais e organização política resultou na formação de uma “massa ativa”: parcela da sociedade que participa continuamente da disputa pública, difunde interpretações e organiza pessoas.

Dados eleitorais e institucionalidade: O texto lembra que a eleição presidencial de 2022 não desmontou por completo a força do campo adversário: segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve 50,9% dos votos válidos e Bolsonaro 49,1%. Na Câmara, o PL elegeu 99 deputados, conforme a tabela oficial daquele pleito. A vitória no Executivo, portanto, conviveu com expressiva representação do outro campo.

A promulgação da reforma tributária, em dezembro de 2023, é apontada como demonstração de capacidade governamental para aprovar mudanças institucionais; contudo, o texto ressalta que governar por negociações não equivale a reunir força suficiente para implementar integralmente um projeto transformador.

Proposta e caminhos: Para enfrentar a direita radical, o artigo defende que os progressistas promovam um novo movimento de massas, plural e democrático, articulado nos bairros, locais de trabalho, escolas, universidades, comunidades religiosas e associações. A tarefa inicial é a escuta e a organização de demandas concretas — transporte, moradia, segurança, alimentação, cuidado e trabalho digno — e a construção de apoio que sobreviva ao calendário eleitoral e mantenha autonomia para cobrar governos eleitos.

Essa reconstrução passaria por uma reforma ética e moral na linha do que Gramsci descreveu como transformação da compreensão coletiva: formação de consciência crítica e vontade coletiva sem impor costumes privados, mas promovendo compromissos públicos com igualdade, liberdade, solidariedade e responsabilidade.

O texto sustenta que uma ética democrática precisa rejeitar racismo, violência contra mulheres, humilhação dos pobres e corrupção inclusive quando praticada por aliados; deve reconhecer o direito à divergência e a dignidade de modos de vida diferentes. Para ser crível, essa ética deve se refletir na conduta das organizações, na transparência das decisões e na distribuição de poder.

Por fim, o artigo adverte que crises não produzem automaticamente uma “catarse” no sentido gramsciano — a transformação de consciências depende de ação consciente para converter medo em compreensão, indignação em organização e demandas fragmentadas em projeto comum. Vencer eleições continua essencial, mas é necessário articular voto, organização popular e prática ética para consolidar mudanças e evitar soluções autoritárias. O processo exige paciência para dialogar com discordantes, firmeza diante da violência e disposição para reconhecer erros; a democracia só se enraizará quando deixar de ser promessa de governantes e tornar-se experiência cotidiana do povo.

Com informações de Vozdeuberlandia

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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