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quarta-feira, outubro 14, 2026

Disparada do petróleo após ofensiva dos EUA contra o Irã cria risco político para Trump antes das eleições de novembro

Resumo: A ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, elevou de forma significativa o preço do petróleo no mercado internacional e ameaça gerar custos políticos ao presidente Donald Trump, com impacto direto no orçamento das famílias americanas e no cenário das eleições de meio de mandato em novembro.

O barril de petróleo subiu para até US$ 120 logo após o início do conflito — a cotação mais alta desde 2022 — e, embora tenha recuado, permanece em torno de US$ 100, patamar considerado elevado. A alta do petróleo tende a pressionar os preços da gasolina e do diesel, repercutindo em custos mais altos para diversos produtos e alimentando a insatisfação do eleitorado.

Uma pesquisa Ipsos/Reuters divulgada em 9 de março mostra que 67% dos americanos esperam aumento nos preços da gasolina no próximo ano devido à guerra, e seis em cada 10 acreditam que as ações militares dos EUA contra o Irã devem se prolongar.

Especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que esse cenário complica a narrativa de Trump sobre uma economia forte com energia mais barata. Dados da associação automobilística AAA, citados pelo Financial Times, indicam que o preço da gasolina subiu mais de 20% desde que o presidente lançou a ofensiva, alcançando o nível mais elevado de seus dois mandatos.

O Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente e aproximadamente um quinto do comércio mundial de gás natural liquefeito (GNL) — registrou forte queda no tráfego de navios após o Irã anunciar bloqueios e ataques a petroleiros, elevando os temores sobre o fornecimento.

Economistas em Washington estimam que um aumento de 10% no preço do petróleo pode reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano em cerca de 0,2 ponto percentual. Bancos calculam que uma alta de US$ 10 por barril pode acrescentar cerca de 0,1 ponto à inflação, efeitos que funcionam como um imposto sobre as famílias ao reduzir a renda disponível.

Analistas apontam que essa pressão atinge especialmente eleitores de renda média e baixa e os independentes em estados-pêndulo, grupos decisivos nas eleições.

O governo Trump procurou mitigar a alta adotando medidas como o alívio temporário de sanções contra o petróleo russo, a indicação de que até 200 milhões de barris da Venezuela seriam destinados aos EUA para refino, e a participação na maior liberação de reservas de emergência da história da Agência Internacional de Energia (AIE): 400 milhões de barris disponibilizados por 32 países-membros.

Apesar dessas ações, especialistas alertam para limites da resposta. David Fyfe, economista-chefe da Argus, afirma que estoques estratégicos só funcionam como solução temporária e serão insuficientes para evitar novos aumentos se as restrições à navegação no Estreito de Ormuz persistirem por prazo prolongado.

No plano político, as eleições de meio de mandato em novembro envolverão a escolha de 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado (33 no ciclo regular e duas especiais). Hoje, os republicanos controlam ambas as casas, mas por margens estreitas: 220 cadeiras contra 213 na Câmara e 53 a 47 no Senado. Especialistas dizem que a escalada dos preços e a percepção de promessas não cumpridas por Trump podem tornar a disputa mais competitiva e, em caso de derrota republicana, limitar a agenda do presidente e abrir caminho para investigações e processos no Legislativo.

A situação continua sujeita a mudança nos próximos oito meses, dependendo da evolução do conflito no Oriente Médio e de outras variáveis econômicas e políticas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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