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domingo, outubro 11, 2026

México ordena desmilitarização de escolas e instituições readequam práticas e símbolos

O que aconteceu

Em julho, a Secretaria da Educação Pública (SEP) do México emitiu uma ordem proibindo o funcionamento de escolas com caráter militarizado, alegando ausência de respaldo legal e afirmando que a formação militar deve ficar sob responsabilidade das Forças Armadas. A decisão, apoiada pela presidente Claudia Sheinbaum, foi motivada, em parte, pela morte de Dafne Zapata, de 13 anos, ocorrida em um acampamento de verão militar no Estado de Tamaulipas; a autópsia apontou asfixia por submersão. A promotoria investiga o caso como possível feminicídio e três pessoas estão detidas.

Quem é afetado

Dezenas de instituições foram atingidas pela determinação: estimativas citam entre 20 e 50 escolas que atendem de 10 mil a 20 mil alunos. Em muitas delas, a procura caiu quase pela metade após a medida, e algumas precisaram encerrar atividades. Em Puebla, pais de alunos da Academia Zaragoza mobilizaram-se em protesto, com mais de 50 pessoas bloqueando vias públicas em defesa da continuidade da escola.

Como as escolas estão se adaptando

Centros como o Colégio Moderno Alarid, na Cidade do México, passaram por alterações visíveis: novos uniformes sem estética militar, troca de termos e substituição de instrutores militares por profissionais civis. Em um caso público, instrutores antes chamados por títulos formais passaram a adotar nomenclaturas distintas, e disciplinas militares foram substituídas por conteúdos como educação financeira, esporte de alto rendimento e inteligência artificial.

Resistência e apoio

Algumas famílias e gestores defendem o modelo por considerarem que ele garante disciplina e valores. Pesquisa da consultoria Dinamic, de julho, apontou que cerca de um terço dos mexicanos rejeita o fechamento em massa dessas escolas; 27% apoiam o fechamento definitivo e muitos entrevistados pedem auditorias. Pais que se opõem à mudança dizem sentir que a substituição do modelo representa uma perda do propósito da matrícula.

Casos anteriores e contexto

O caso de Dafne não é isolado. Em 2023, Zamir Pinto, de 16 anos, morreu no Colégio Militarizado Aztlán; a necropsia identificou golpes no estômago, houve detenção de um suspeito e o colégio foi fechado. Em 2025, Érick Terán Torbellín, de 13 anos, faleceu após procedimentos em um acampamento da Academia Ollin; relatos apontaram agressões e uma entidade atribuiu a morte a uma “onda de calor”; três pessoas chegaram a ser detidas.

Instituições militares e memória

As escolas militares — centros acadêmicos dependentes das Forças Armadas — permanecem separadas dessas instituições privadas militarizadas. Existem cerca de 40 escolas militares formais no país, entre as quais se destaca o Heroico Colégio Militar, instalado desde 1976 num campus de quase 400 hectares na Cidade do México. Apesar do prestígio das Forças Armadas e do respeito social aos militares, denúncias de abusos e trotes severos marcaram a história recente.

Cultura e debate

Especialistas e ex-alunos recordam que a liturgia e os símbolos militares estão profundamente presentes na sociedade mexicana, o que dificulta a mudança cultural nas escolas. Filhos e ex-alunos relatam sequelas físicas e psicológicas decorrentes de práticas de adestramento. Ao mesmo tempo, diretores de escolas que passam pela transição afirmam buscar preservar valores considerados universais — como disciplina e honra — sem a parte coercitiva do modelo militar.

As medidas da SEP continuam a ser implementadas nas instituições afetadas, enquanto gestores, famílias e autoridades debatem auditorias, responsabilidades e o futuro dessas escolas no sistema educativo mexicano.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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