Bangkok, Tailândia — O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a difusão da inteligência artificial (IA) pode afetar cerca de 40% dos empregos no mundo e atingir até 60% nas economias avançadas, segundo declarações feitas na segunda-feira (12) durante as reuniões anuais da instituição e do Banco Mundial em Bangkok.
Impacto sobre emprego e produtividade
A diretora‑geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que os investimentos em IA têm contribuído para manter o crescimento econômico global em torno de 3%, mas que a tecnologia pode aumentar a produtividade em algumas funções, reduzir a relevância de outras ou até extinguir postos de trabalho. Georgieva descreveu os efeitos no mercado de trabalho como um “tsunami de movimento lento” e disse: “IA, ame‑a ou odeie‑a. Ela já está aqui”.
O FMI projetou crescimento global de 3,1% para 2026, em anúncio feito na terça‑feira (13). Georgieva acrescentou que a expansão dos investimentos em IA eleva a demanda e os gastos com infraestrutura tecnológica, com efeitos positivos sobretudo para a Ásia.
Ganhos para a Ásia e composição da cadeia de fornecimento
Segundo Georgieva, o aumento de investimentos em IA pode adiantar o crescimento das economias asiáticas avançadas entre 0,5 e 1 ponto percentual, enquanto nas economias emergentes da região o ganho estimado fica entre 0,2 e 0,8 ponto percentual. Ela citou Estados Unidos, China e Índia como os principais produtores da cadeia de fornecimento da IA, e destacou que muitas empresas que fornecem equipamentos para essa infraestrutura estão na Ásia, incluindo a Tailândia.
Um estudo preliminar mencionado durante o encontro indicou que 10% dos empregos nos Estados Unidos já exigem conhecimentos em inteligência artificial. Georgieva também observou mudança na composição de vagas: enquanto funções rotineiras e repetitivas tendem a diminuir, cresceu a oferta de empregos com salários mais baixos em setores como construção civil e centros de processamento de dados (data centers).
Primeiro emprego e risco de desigualdade
Autoridades expressaram preocupação com a redução de vagas de entrada no mercado de trabalho. Tharman Shanmugaratnam, presidente de Singapura, destacou que governos precisam agir rapidamente diante da menor demanda por profissionais recém‑formados, afirmando que o primeiro emprego após a graduação enfrenta procura reduzida. Ele advertiu ainda para o risco de a IA aprofundar desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento se não houver ações proativas.
Pontos de vista sobre países emergentes
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, apresentou visão distinta ao afirmar não estar convencido de que a IA eliminará de forma generalizada empregos iniciais. Banga sugeriu que grande parte das mudanças ocorrerá em economias avançadas, onde se desenvolvem grandes modelos de IA, e propôs que países emergentes explorem sistemas menores, com menor demanda de processamento, para melhorar produtividade em agricultura, serviços de saúde e educação.
Tributação, educação e adaptação
Georgieva também ressaltou que a difusão da IA pode alterar a base de arrecadação tributária, ao reduzir a participação do trabalho humano e aumentar o peso de investimentos em equipamentos e tecnologia, o que exigirá repensar sistemas fiscais. Quanto à formação profissional, ela afirmou que trabalhadores precisarão atualizar habilidades continuamente e citou um uso pessoal da tecnologia: um assistente de IA que envia um resumo de 30 segundos com informações sobre sua agenda todas as manhãs.
Para as autoridades presentes, o desafio é aproveitar os ganhos de produtividade trazidos pela IA sem ampliar desigualdades econômicas nem restringir oportunidades de emprego, especialmente para quem está iniciando carreira.
Com informações de G1




