Publicações nas redes sociais
Desde o final de setembro, postagens virais no X e no Instagram mostram uma foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segurando um cartão do Bolsa Família e incluem mensagens que criticam um suposto reajuste de mais de 15% no programa social, enquanto o salário mínimo teria sido corrigido em cerca de 6%.
O que diz o anúncio oficial
Em 17 de setembro de 2026, o governo federal anunciou um aumento de 15% nos benefícios do Bolsa Família. Com o reajuste, o piso do programa passou de R$ 600 para R$ 691, e o benefício médio subiu de R$ 675 para R$ 777. O Ministério do Planejamento informou que o primeiro pagamento com os novos valores seria efetuado em 19 de outubro.
Contexto temporal e índices
O governo justificou a recomposição em 15% como correção da perda de poder de compra acumulada desde o último reajuste, três anos antes. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 foi de 15,04%.
Comparação com o salário mínimo
Os posts que circulam nas redes omitem que o salário mínimo passou por reajustes nos últimos anos. Em 2024, o mínimo subiu de R$ 1.320 para R$ 1.412; em 2025 foi a R$ 1.518; e em 2026 chegou a R$ 1.621. Considerando a evolução acumulada entre 2023 e 2026, o salário mínimo avançou 22,8% no período.
O percentual de cerca de 6% citado nas publicações aproxima-se apenas da correção mais recente ao salário mínimo, equivalente a 6,8% (de R$ 1.518 para R$ 1.621), e não da variação acumulada nos três anos.
Posicionamentos
O Ministério do Planejamento e Orçamento declarou por e-mail que “a recomposição de 15% do benefício Bolsa Família corresponde a correção dos valores pela variação inflacionária acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026, um período de 3 anos em que não houve reajuste. Isso não ocorreu com o salário mínimo, que manteve valorização real nos últimos 3 anos”.
O economista Carlos Eduardo Oliveira Jr., do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), explicou ao Fato ou Fake que a comparação adequada é entre a evolução acumulada do Bolsa Família e do salário mínimo no triênio: “Nesse critério, o salário mínimo teve um avanço de 22,8%, contra 15,04% do Bolsa Família”.
As publicações que viralizaram trazem também relatos de insatisfação de trabalhadores com o ritmo dos reajustes, mas deixam de informar o período e os números completos que permitem comparar o impacto acumulado dos aumentos.
Com informações de G1




