A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) aprovou, em 20 de outubro de 2026, a certificação final do Boeing 737 MAX 10, a maior variante da família 737 MAX. Com a autorização, a Boeing poderá iniciar a entrega das aeronaves já construídas e das próximas unidades nos meses seguintes.
O MAX 10 tem capacidade para até 230 passageiros, acima das demais variantes: o 737 MAX 9 leva até 195 pessoas e o MAX 7 tem capacidade para até 160 passageiros. A fabricante já havia montado algumas unidades do modelo que aguardavam a liberação para serem entregues às companhias aéreas.
De acordo com a consultoria aérea IBA, mais de 1.550 unidades do MAX 10 foram encomendadas por companhias aéreas, o que corresponde a 31% dos pedidos ainda pendentes da família 737. Entre os principais clientes listados pela Boeing estão United Airlines, Alaska Airlines, Ryanair, Delta Air Lines e American Airlines.
Stephanie Pope, presidente e diretora-executiva da Boeing Commercial Airplanes, declarou que as entregas começarão nos próximos meses e destacou que o MAX 10 oferece maior capacidade de passageiros, alcance de voo e eficiência econômica por assento em sua categoria. A empresa considera o modelo estratégico para ampliar receitas e ajudar na recuperação financeira após anos de atrasos e controvérsias.
Rigidez na certificação e atualizações exigidas
O processo de certificação do MAX 10 foi conduzido em um ambiente regulatório mais rigoroso após dois acidentes com o 737 MAX 8, em 2018 e 2019, que resultaram em 346 mortes. A Boeing também passou a enfrentar maior supervisão sobre produção e qualidade depois que um painel de fuselagem de um 737 MAX 9 operado pela Alaska Airlines se soltou durante um voo em janeiro de 2024.
Para obter o aval, a FAA exigiu melhorias importantes no MAX 10, como atualizações no sistema de controle de voo e a adoção de um sensor de ângulo de ataque aprimorado. Essas modificações também serão aplicadas gradualmente às aeronaves já em operação.
Problemas anteriores influenciaram o cronograma: uma falha no sistema anti-gelo dos motores identificada em 2023 atrasou a certificação dos modelos MAX 7 e MAX 10. Em fim de setembro, a Boeing divulgou outra falha em atualização recente do software de navegação da família 737 MAX, incidente que poderia provocar novos adiamentos; a FAA avaliou que essa questão não representava risco à segurança e não condicionou a certificação à sua correção.
A Boeing mantém outros projetos sob certificação: o 777-9, maior avião comercial da empresa, acumula seis anos de atraso e a fabricante prevê concluir o processo e iniciar entregas em 2027.
Com informações de G1




