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quarta-feira, outubro 21, 2026

Ajuste fiscal do governo de Kast coincide com desemprego recorde e retração econômica no Chile

Desemprego e estagnação

O Chile registrou taxa de desemprego de 9,6%, a mais alta em mais de cinco anos, enquanto os investimentos produtivos — privados e públicos — não cresceram no segundo trimestre. O país também apresentou crescimento praticamente nulo da demanda interna e inflação acumulada de 4,1% em 12 meses até julho, impulsionada principalmente pela elevação dos preços dos combustíveis.

Posição do governo

Em início de outubro, o ministro da Fazenda, Jaime Quiroz, falou a empresários cristãos em Santiago pedindo calma diante dos indicadores fracos. Quiroz, com carreira no setor privado, citou trechos bíblicos e dados econômicos para tentar reduzir o pessimismo entre quem o conhece há anos.

Impacto do aumento do preço do petróleo

Após o início da guerra no Irã, o preço internacional do petróleo subiu e o governo de Kast decidiu não intervir para conter a alta no mercado interno. A liberalização do preço dos combustíveis gerou o chamado “bencinazo”, com protestos públicos. Entre o período anterior ao conflito e meados de outubro, o preço médio da gasolina na Região Metropolitana de Santiago subiu cerca de 30%, enquanto o diesel teve aumento superior a 40%. Economistas consultados afirmam que a transferência do choque para consumidores elevou a inflação e reduziu a confiança dos consumidores.

Queda na mineração

A atividade mineradora sofreu forte retração: em agosto a produção registrou redução anual de cerca de 17,4%, atingindo o nível mais baixo em três décadas. A queda, concentrada sobretudo no cobre — principal produto de exportação do Chile — refletiu interrupções operacionais e condições climáticas adversas em julho e agosto. Há projeções de recuperação em 2027, mas o setor enfrenta incertezas como a diminuição da concentração de cobre nas rochas, que eleva custos.

Desempenho do PIB

O Produto Interno Bruto do Chile recuou 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os mesmos períodos de 2025 — a maior retração desde a pandemia de covid-19. Em razão desses resultados, o Banco Central reduziu suas projeções de crescimento para este ano para faixa entre 0,25% e 0,75%, enquanto o Fundo Monetário Internacional estimou crescimento de 0,6%.

Política fiscal e megarreforma

Desde assumir em março, o governo de José Antonio Kast adotou medidas de austeridade: corte de 3% do orçamento de todos os ministérios, revisão ou extinção de programas considerados “ineficientes” e redução de investimentos públicos diretos. A administração também encaminhou ao Congresso uma “megarreforma” que foi aprovada e sancionada em início de outubro, com mudanças tributárias que incluem a redução gradual do imposto sobre empresas de 27% para cerca de 23% e garantias de invariabilidade tributária para grandes investimentos.

Economistas ouvidos destacam que a contenção de gastos ajudou a reduzir o déficit, mas também colabora para a queda da demanda e do crescimento econômico. Alguns analistas projetam uma possível recuperação já no primeiro trimestre de 2027 se os preços globais da energia recuarem marginalmente e as reformas começarem a produzir efeitos.

Efeitos sociais e medidas emergenciais

O projeto de Lei Orçamentária para 2027 prevê crescimento real dos gastos públicos de apenas 1,5%, alvo de fortes críticas da oposição que afirma que dezenas de programas sociais serão afetados. Com inflação em alta e desemprego nos níveis atuais, parte da população enfrenta dificuldades no consumo: o Índice de Vendas de Supermercados fechou agosto com queda de 1,2% em 12 meses, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas.

Em resposta ao cenário, o governo anunciou um plano de emprego estimado em cerca de US$ 1,3 trilhão (aproximadamente R$ 6,5 trilhões), com objetivo de criar mais de 100 mil postos entre 2026 e 2027 por meio de aceleração de obras públicas e subsídios a empresas. O pacote representa uma mudança pontual em relação à política de austeridade adotada ao assumir o governo.

O presidente José Antonio Kast enfrenta índice de desaprovação superior a 60% em pesquisas locais, em meio ao debate sobre se a atual paralisação econômica será temporária ou se pode se estender por mais tempo.

Fim da reportagem.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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