O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece sujeito a dois processos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) mesmo depois de deixar o país e seguir para os Estados Unidos. Apesar de manter mandato até 1º de fevereiro e estar em prisão domiciliar, ele segue sob investigação na Corte em razão do foro privilegiado.
Uma das apurações envolve o advogado Willer Tomaz, apontado em inquérito por suspeita de lavagem de dinheiro em operações relacionadas a apostas. Segundo as diligências, o nome de Flávio foi citado por uma secretária de Tomaz, que teria comunicado ao advogado o cancelamento de uma conta associada à Alcazar Holdings, empresa com sede na Ilha da Madeira investigada pela Polícia Federal.
Na semana passada, o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio de bens de Willer Tomaz de até R$ 6 bilhões. A decisão ocorreu após a PF constatar que o advogado viajou para Miami, nos Estados Unidos, depois de ter sido alvo de busca e apreensão em agosto durante a Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares em aposentadorias.
A segunda investigação que atinge o senador apura pagamentos feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso veio a público após reportagem do site The Intercept, que divulgou conversas em que Flávio teria solicitado recursos a Vorcaro para custear as filmagens.
Em novembro do ano passado, após a divulgação dos diálogos, Flávio negou ter acertado vantagem indevida com o banqueiro e afirmou que os recursos eram de natureza privada. Em julho deste ano, ele foi formalmente incluído no inquérito e passou a ser investigado no âmbito dessa apuração.
A tendência é que as duas investigações prossigam no STF mesmo após o término do mandato, conforme a jurisprudência atual da Corte, que mantém competência para julgar ex-parlamentares quando os crimes guardam relação com o exercício da função pública.
Nesta terça-feira (27), o investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy publicou em redes sociais que Flávio teria chegado aos Estados Unidos por meio de uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. A saída do país, ocorrida menos de 48 horas após a derrota nas eleições presidenciais, também foi confirmada pela agência Reuters.
Na segunda-feira (26), um dia após a derrota na disputa presidencial, o senador foi proibido de deixar o Brasil e intimado pela Polícia Federal a entregar todos os passaportes em 24 horas. Como os documentos não foram entregues dentro do prazo, eles foram cancelados na manhã da terça-feira.
Com informações de Uberlandianofoco




