Binance cobre 90% das perdas
A corretora de criptomoedas Binance anunciou neste sábado (31) que conseguiu recompor 90% do montante perdido após o ataque cibernético que resultou no desvio de mais de US$ 6 bilhões. A empresa afirmou que utilizará recursos próprios para indenizar clientes e evitar impacto financeiro sobre os investidores.
Quais ativos já foram recuperados
Segundo a Binance, dez criptomoedas — entre elas bitcoin (BTC) e ether (ETH) — já tiveram seus valores integralmente cobertos. A empresa informou que continuará adquirindo os demais ativos até atingir 100% de reposição. A fatia restante de 10% corresponde a criptomoedas com menor liquidez, o que pode complicar e atrasar compras em grande volume.
Fontes dos recursos
A plataforma disse que está recorrendo a um fundo de emergência criado para proteção de clientes, a parte de um fundo de seguro destinado a operações com criptoativos e ao caixa da própria empresa. Entre esses mecanismos está o Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), instituído em 2018 para proteger investidores em eventos excepcionais. A Binance também pretende recompor o saldo do SAFU para cerca de US$ 1 bilhão.
Em atualização de reservas com data de 31 de outubro, a corretora informou que concluirá uma verificação técnica na terça-feira (3), quando os clientes poderão checar se seus investimentos estão totalmente respaldados por ativos mantidos pela plataforma. A empresa prevê liberar saques já no domingo (1º), após a suspensão temporária dos serviços motivada pelo ataque.
Investigações e rastreamento
O ataque ocorreu na quinta-feira (29) e foi considerado o maior roubo registrado até hoje no setor de criptomoedas. As empresas TRM Labs e Chainalysis indicaram que os responsáveis podem ter vínculos com a Coreia do Norte, mas a Binance declarou que sua investigação ainda não identificou os criminosos. A corretora afirmou estar cooperando com autoridades de vários países, incluindo o FBI e o Serviço Secreto dos Estados Unidos (USSS).
Até sexta-feira (30), cerca de US$ 3 bilhões em ativos desviados haviam sido localizados; parte desses valores foi bloqueada com auxílio de outras empresas do setor, sem que isso signifique recuperação integral. Inicialmente, a Binance suspeitou que o incidente tenha começado pela invasão do computador de um engenheiro, o que teria permitido acesso a sistemas internos, e depois apontou outras possíveis brechas exploradas pelos criminosos.
Como o roubo ocorreu e impacto no mercado
Relatórios técnicos indicam que os invasores comprometeram o sistema responsável pela autorização de transferências, e a maior parte do saque aconteceu em cerca de 20 minutos, por volta das 17h (horário de Brasília). Após o desvio, os recursos foram movimentados rapidamente para dificultar bloqueios e rastreamento.
No sábado (31), o mercado de criptomoedas apresentou recuperação parcial após quedas na sexta-feira (30) atribuídas ao ataque. Por volta das 12h, o bitcoin registrava alta de 0,22%, cotado a US$ 77.430; o ether subia 0,44%, a US$ 2.247,99; e a solana avançava 1,25%, a US$ 95,77.
O caso segue sob investigação e a Binance diz manter o compromisso de ressarcir integralmente os fundos afetados pelo incidente.
Com informações de G1




