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segunda-feira, novembro 2, 2026

Midterms nos EUA podem limitar agenda de Trump e reverberar sobre dólar e juros no Brasil

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, agendadas para terça-feira (3), podem modificar o espaço político do presidente Donald Trump e provocar efeitos no mercado financeiro internacional, incluindo o Brasil. O pleito renova as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, com mandatos de dois anos para deputados e seis anos para senadores.

Pesquisas e modelos estatísticos indicam vantagem dos democratas na disputa pela Câmara. O modelo do The Economist, utilizado como referência pelo BTG Pactual, projeta 239 cadeiras para os democratas frente a 196 para os republicanos, com probabilidade de maioria democrata estimada em 96%. A plataforma de previsões Polymarket atribuía 92% de chance de vitória democrata na Câmara.

No Senado, a disputa aparece mais equilibrada. O cenário-base do BTG projeta 51 cadeiras para os democratas e 49 para os republicanos, considerando 91 vagas praticamente decididas e nove correndo risco. As estimativas de probabilidade de maioria democrata variam entre 65%, segundo cotações do Polymarket, e 72%, conforme o modelo quantitativo do banco.

Segundo especialistas consultados, uma eventual “onda azul” — quando os democratas conquistam as duas Casas — reduziria a margem de manobra do presidente para aprovar projetos e ampliaria o poder de fiscalização do Congresso sobre o Executivo. Andressa Durão, economista do ASA, afirma que um enfraquecimento dos republicanos limitaria a capacidade de Trump de implementar medidas e aumentaria a supervisão parlamentar.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, relaciona o desgaste de Trump à insatisfação com o custo de vida, citando preços médios de gasolina acima de US$ 4 (R$ 21,77) por galão e diesel a US$ 6 (R$ 32,66). Para Sung, recuperar ao menos uma das Casas pelo Partido Democrata já seria suficiente para complicar a agenda legislativa do presidente.

As consequências para o Brasil podem surgir por meio dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e da cotação do dólar. Decisões do Congresso americano sobre gastos e tributos afetam expectativas sobre as contas públicas dos EUA; se investidores anteciparem aumento do déficit, os juros dos Treasuries tendem a subir, tornando ativos americanos mais atraentes e provocando saída de recursos de economias emergentes.

De acordo com Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, uma vitória republicana nas duas Casas abriria espaço para cortes de impostos e desregulação que, se ampliarem o déficit, pressionariam a inflação e os juros de longo prazo nos EUA — efeito que elevaria o dólar frente ao real e os juros futuros brasileiros, além de prejudicar o desempenho de ações mais endividadas.

Por outro lado, um Congresso controlado pelos democratas reduziria o espaço para novas iniciativas de estímulo fiscal, o que, na avaliação de Praça, poderia aliviar a pressão sobre os juros americanos e favorecer a atratividade de mercados emergentes, com potencial fortalecimento do real e queda das taxas futuras. Ainda assim, disputas orçamentárias e atritos entre Executivo e Legislativo nos EUA poderiam continuar a gerar volatilidade.

Além dos aspectos econômicos, a relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva foi citada como fator adicional de incerteza após a vitória do petista no último domingo. Especialistas apontam que conflitos comerciais recentes — como tarifas adotadas por Washington — e instrumentos legais como as Seções 232 e 301 podem seguir influenciando o comércio bilateral, mesmo que algumas medidas tenham sido derrubadas pela Suprema Corte dos EUA em decisões anteriores, como a de 20 de fevereiro.

Em resumo, o resultado das midterms deverá afetar tanto o ritmo da agenda política de Trump quanto as expectativas dos investidores globais, com possibilidade de impactos diretos sobre o dólar e as taxas de juros no Brasil, dependendo da combinação de controle do Congresso e das medidas que venham a ser disputadas nos próximos meses.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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