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sexta-feira, novembro 6, 2026

Ações de empresas ligadas à IA desabam após vitória democrata nos EUA e aumentam incertezas sobre data centers

Queda global em ações de tecnologia após eleições nos EUA

As ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) sofreram perdas expressivas nas bolsas internacionais após a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Na quinta-feira (5), o Nasdaq registrou queda de 5,52%, seu pior pregão desde abril de 2025. Nesta sexta (6), a pressão pela venda atingiu os mercados asiáticos, com bolsas do Japão e da Coreia do Sul entre as mais afetadas.

Em Wall Street, além do Nasdaq, outros índices fecharam em forte baixa na quinta: o S&P 500 caiu 4,36% e o Dow Jones recuou 3,44%. As sete empresas conhecidas como “Magnificent Seven” tiveram perdas, com a Tesla chegando a registrar queda de 10,8%.

Setor de semicondutores e grandes quedas

Empresas de chips, essenciais para o funcionamento da IA, estiveram entre as mais prejudicadas. O índice de semicondutores da Filadélfia caiu 12,2%. Entre as maiores quedas individuais estiveram a Nvidia, com recuo de 9,3%, e a AMD, que perdeu 17,3%.

Impacto na Ásia e acionamento de circuit breaker

Na Ásia, o Nikkei, principal índice da bolsa japonesa, fechou em queda de 5,96%, aos 57.434,77 pontos. O Kospi, na Coreia do Sul, recuou 6,02%, a 5.059,69 pontos; durante o pregão o índice chegou a cair 8,55%, ultrapassando o patamar de 5.000 pontos, o que levou a bolsa a interromper as negociações por 20 minutos a partir das 9h03 (horário local) em um acionamento do mecanismo conhecido como circuit breaker.

Grandes companhias da região também registraram perdas: a SK Hynix caiu 10,4%, a Samsung Electronics recuou 6,4% e a SoftBank perdeu cerca de 11%. Em Taiwan, a TSMC fechou em baixa de 4,7%. Outros resultados de fechamento nas principais bolsas asiáticas: Taiex (Taiwan) -4,51% aos 39.701 pontos; Straits Times (Cingapura) -2,17% aos 5.181 pontos; Hang Seng (Hong Kong) -1,27% aos 24.481 pontos; Xangai -1,10% aos 3.649 pontos; CSI 300 -1,44% aos 4.054 pontos; S&P/ASX 200 (Austrália) -0,49% aos 9.020 pontos.

Motivações do mercado

Investidores citam duas preocupações principais: o elevado volume de recursos aplicados pelas gigantes de tecnologia em infraestrutura para IA e a possibilidade de novas restrições à construção de data centers nos Estados Unidos após a vitória democrata. Esses centros são essenciais para treinar e operar sistemas de IA, mas consomem grandes quantidades de energia e água, o que tem gerado resistência em algumas comunidades.

Especialistas citados afirmam que a eleição não foi a causa única da correção, mas funcionou como um gatilho para um mercado que já mostrava sinais de fragilidade. Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), disse que a vitória democrata “foi o gatilho” e que aumentou a preocupação com possíveis restrições ao licenciamento, incentivos fiscais e fornecimento de energia. Nickolas Lobo, especialista de investimentos da Nomad, afirmou que os investidores agora cobram que os investimentos em IA se convertam em receita e geração de caixa.

Volume de investimentos e pressão por resultados

Relatórios da Reuters citados mostram que Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram juntos seus investimentos em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um ano, com previsão de mais US$ 232 bilhões no trimestre seguinte. Estimativas apontam que, em 2026, os gastos de capital dessas quatro empresas podem chegar a US$ 740 bilhões. No terceiro trimestre, a Amazon investiu cerca de US$ 75,9 bilhões (ante US$ 58,7 bilhões esperados), a Alphabet destinou mais de US$ 50 bilhões, a Microsoft aplicou US$ 45,2 bilhões e a Meta registrou gastos de US$ 35 bilhões.

Em outra análise da Reuters, considerando Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle, os investimentos somaram US$ 556,9 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, enquanto as operações geraram US$ 542,9 bilhões no mesmo período, o que levou o grupo de um saldo positivo de US$ 143,5 bilhões em fluxo de caixa livre nos primeiros nove meses de 2025 para um resultado negativo de US$ 14 bilhões neste ano.

Com os gastos crescentes, empresas também têm recorrido à emissão de dívidas e à captação no mercado de ações. A Microsoft, por exemplo, levantou US$ 25 bilhões em emissão de títulos, com recursos que podem ser aplicados em investimentos de capital.

O mercado permanece atento ao ritmo de investimentos e à capacidade das companhias de transformar gastos em retorno financeiro, enquanto seguem as incertezas sobre regras locais e estaduais que podem afetar a expansão de data centers.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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