Lula rebate pedidos de cortes e destaca preocupação social e fiscal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (6), que o governo brasileiro combina responsabilidade social com disciplina fiscal e afirmou que propostas de ajuste não devem onerar a população mais vulnerável. As declarações foram dadas durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), realizada no Ministério de Minas e Energia.
Ao responder à cobrança de economistas e de agentes do mercado por cortes de despesas, Lula questionou comparações sobre a dívida pública brasileira e pediu transparência nos números. Ele solicitou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tornasse públicos os dados sobre a dívida e lembrou de como estava a situação fiscal quando o PT retornou ao governo em 2023.
O presidente afirmou que o Executivo encontrou um cenário com déficit de 2,8% e que agora entrega um orçamento com superávit, e destacou que o ajuste não pode significar sacrifício para os pobres. Lula ressaltou que, apesar das pressões do sistema financeiro por medidas mais rígidas, a prioridade do governo inclui proteger programas sociais, saúde e educação.
Especialistas e mercados têm exigido contenção das despesas obrigatórias — como Previdência, assistência social e folha de pagamento — por receio de que o ritmo de gastos coloque em dúvida a sustentabilidade da dívida pública. Essa desconfiança costuma provocar efeitos práticos na economia, como valorização do dólar, aumento das expectativas de inflação e manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados por mais tempo, impactando o custo do crédito e o financiamento da própria dívida do governo.
O governo, por sua vez, rejeita cortes lineares e defende que o debate de ajuste inclua revisão de renúncias fiscais a setores empresariais e menor volume destinado a emendas parlamentares, em vez de concentrar o esforço sobre a população mais vulnerável.
Na mesma fala, Lula avaliou que 2026 está terminando de forma menos positiva do que esperava, mas afirmou que o governo fez o possível no período. Ele disse desejar parâmetros econômicos mais favoráveis — como crescimento mais robusto, redução do desemprego e aumento do salário mínimo para R$ 5.000 —, mas admitiu que o avanço é condicionado ao que pode ser construído no atual contexto.
O presidente também afirmou que um princípio pessoal o norteia na gestão financeira: a lição, que atribui à mãe, dona Lindu, de não gastar mais do que se tem, e garantiu que essa postura continuará orientando a condução das contas públicas.
Com informações de G1




