À medida que se aproxima o Enem 2026, estudantes têm vasculhado com atenção as redes sociais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para tentar descobrir, por pistas visuais ou temáticas, qual será o assunto cobrado na redação.
Postagens com estética “retrô”, referências a celulares e imagens ligadas a videogames levaram usuários a levantar hipóteses como “os impactos do vício em jogos eletrônicos na saúde física e mental dos jovens”. No TikTok e no Instagram, criadores de conteúdo e candidatos publicaram vídeos e comentários propondo temas que vão desde a regulação da inteligência artificial e seus efeitos nas relações de trabalho até os efeitos da hiperconectividade e da exposição precoce às tecnologias digitais na saúde mental de crianças e adolescentes.
Em transmissão ao vivo realizada na quarta-feira (4), o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o tema da redação permanece sob sigilo e que nem ele tem acesso prévio ao tópico. Ainda assim, muitos candidatos continuam a interpretar cada publicação do órgão como uma possível dica. Influenciadores chegaram a afirmar que o Inep estaria “dando de bandeja” indicações do que cairia na prova, enquanto outros ponderaram que não há comprovação dessa prática.
Além da tecnologia, outras apostas surgiram a partir de conteúdos publicados pelo Inep: posts sobre acessibilidade motivaram especulações sobre temas relacionados a pessoas com deficiência, como barreiras físicas e comunicacionais; matérias sobre alfabetização e leitura alimentaram previsões sobre desafios na formação de leitores e no processo de alfabetização; e publicações voltadas ao combate ao bullying fizeram circular propostas sobre violência e convivência nas escolas.
Professores e especialistas em preparação para o Enem alertam que não existem evidências confiáveis de que postagens antecipem o tema. Daniela Toffoli, professora de redação do Curso Anglo, disse que gastar tempo tentando adivinhar o assunto pode aumentar a ansiedade e prejudicar a preparação. Para ela, o foco deve ser a construção de propostas de intervenção completas, estudo de repertório por eixos temáticos e domínio das competências avaliadas pelo exame.
Histórias de acertos por coincidência também circulam entre os alunos — por exemplo, houve quem associasse publicações com imagens de gatos e mensagens matinais ao tema sobre envelhecimento que teria aparecido no Enem 2025 —, mas especialistas classificam essas correlações como folclore e coincidência. O conselho comum é praticar redações nos moldes do Enem e reforçar técnicas exigidas pela prova, em vez de apostar em teorias conspiratórias.
Com informações de G1




