Preços disparam após ofensiva iraniana contra infraestrutura energética
Os preços internacionais do petróleo registraram forte alta nesta quinta-feira, com o Brent — referência mundial — chegando a superar US$ 115 por barril. A valorização ocorreu depois de ataques iranianos a instalações de energia em diferentes pontos do Oriente Médio, em represália a um ataque de Israel ao campo de gás South Pars.
Os contratos futuros do Brent subiram US$ 6,08, um avanço de 5,7%, e eram negociados a US$ 113,46 por barril no momento da divulgação. Mais cedo na sessão, o Brent chegou a avançar quase US$ 8, alcançando o pico de US$ 115,10, o maior nível desde 9 de março. O petróleo WTI, referência dos Estados Unidos, teve alta mais contida: subiu US$ 0,57 (0,6%) para US$ 96,89 por barril, após registrar aumento próximo a US$ 4 mais cedo, quando chegou a US$ 100,02.
O WTI vem sendo negociado com o maior descolamento em relação ao Brent em 11 anos, reflexo da liberação de reservas estratégicas pelos EUA e de custos de transporte mais elevados. Ao mesmo tempo, a nova onda de ataques a infraestruturas energéticas no Oriente Médio elevou a pressão de alta sobre o Brent.
Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, afirmou que a escalada de violência na região, os ataques à infraestrutura petrolífera e a morte de lideranças iranianas indicam risco de interrupção prolongada no fornecimento de petróleo.
Na quarta-feira, o Federal Reserve manteve as taxas de juros dos Estados Unidos inalteradas e projetou uma inflação mais elevada, ao mesmo tempo em que avalia os efeitos do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã.
Autoridades e empresas da região relataram diversos incidentes. A QatarEnergy informou que mísseis iranianos atacaram Ras Laffan, importante centro de processamento de gás natural liquefeito no Catar, provocando “danos extensos” à infraestrutura. A Arábia Saudita disse ter interceptado quatro mísseis balísticos lançados contra Riad e também repelido uma tentativa de ataque com drones a uma instalação de gás. A refinaria SAMREF, da Saudi Aramco, no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, foi alvo de ataque aéreo na quinta-feira.
A Kuwait Petroleum Corporation relatou que uma unidade operacional da refinaria Mina al-Ahmadi foi atingida por um drone, causando um pequeno incêndio. Antes das ofensivas, o Irã havia orientado a retirada de pessoal de instalações petrolíferas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, como parte de sua preparação para retaliações pelos ataques a South Pars e Asaluyeh.
South Pars corresponde à parcela iraniana do maior campo de gás natural do mundo, compartilhado com o Catar, aliado dos Estados Unidos, no Golfo. O presidente Donald Trump afirmou que Israel realizou o ataque a South Pars sem envolvimento dos EUA e do Catar, e advertiu que Israel não deveria atacar novamente instalações iranianas na região, a menos que o Irã ataque o Catar; disse ainda que os EUA responderiam caso o Irã avançasse sobre Doha. Reportagens da Reuters indicaram que o governo Trump estuda enviar milhares de soldados americanos para reforçar a presença militar no Oriente Médio diante das tensões com o Irã.
As incertezas geopolíticas e os relatos de danos a infraestrutura energética mantêm os mercados atentos a novos desdobramentos que possam afetar a oferta e os preços do petróleo.
Com informações de G1




