Quem: Matheus Tavares, jovem que publicou mensagem na rede X (antigo Twitter).
O que: Uma publicação de Matheus anunciando que, aos 27 anos, começava seu primeiro emprego formal alcançou mais de 2 milhões de visualizações em poucas horas e provocou amplo debate nas redes.
Quando e onde: A postagem foi feita no primeiro dia de trabalho de Matheus e viralizou na plataforma X; a vaga como engenheiro de software é em uma empresa de São Paulo (SP), em regime de pessoa jurídica (PJ).
Como: Em resposta à repercussão, Matheus explicou que a expressão “primeiro emprego” se referia ao primeiro vínculo com uma empresa — e não à primeira atividade remunerada da vida. Ele relatou ao G1 que, ao longo dos anos, trabalhou informalmente em funções como office-boy, fotógrafo, garçom, vendedor, corretor, motoboy, motorista de aplicativo, mecânico, camelô e manutenção de celulares, além de abrir pequenos negócios. A contratação atual se deu na modalidade PJ, em que o profissional presta serviços como pessoa jurídica, emite nota fiscal e não tem vínculo empregatício nem benefícios previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Já a CLT corresponde ao contrato com carteira assinada, que estabelece vínculo empregatício e garante direitos como férias, 13º salário e FGTS.
Por que a história repercutiu: Além do tom emocionado da postagem e da foto do primeiro dia, a mensagem reacendeu questões sobre idade de ingresso no mercado formal, valorização de trajetórias sem carteira assinada e possibilidade de construir carreira fora da CLT. Nos comentários, além de mensagens de apoio, surgiram críticas ao fato de Matheus só ter formalizado vínculo aos 27 anos.
Contexto e interpretações de especialistas
Especialistas consultados pelo G1 relacionam o caso a mudanças estruturais no mercado de trabalho. O economista Bruno Imaizumi destacou que o desemprego atingiu o menor nível da série histórica do IBGE no ano passado, o que tem ampliado ofertas em diferentes modalidades de ocupação, e citou fatores como envelhecimento da população e maior tempo dedicado aos estudos. Dados recentes do IBGE apontam que 38,5 milhões de pessoas ainda trabalham na informalidade.
O professor Edgard Rodrigues afirmou que a ideia de uma “idade certa” para começar uma carreira perdeu força diante de trajetórias menos lineares. Para Daniel Consani, CEO do Top RH, o mercado tem passado a valorizar preparo e competências atuais em vez do momento de entrada na vida profissional.
O caso de Matheus também ilustra dificuldades comuns a quem vem da informalidade: transformar experiência prática em elementos reconhecíveis em processos seletivos. Rodrigues observou que empresas mais modernas tendem a avaliar competências concretas, e Consani ressaltou que a ausência de carteira não é necessariamente um impedimento quando a trajetória mostra consistência e resultados.
Matheus conta que, apesar de ter trabalhado desde a adolescência — começando aos 14 ou 15 anos como office-boy enquanto estudava — e de ter passado por diferentes cidades e funções, nunca teve vínculo formal até a contratação atual como PJ. Seu relato evidenciou tanto o acúmulo de experiência prática quanto os obstáculos enfrentados para acessar o mercado formal.
Ao final, especialistas ouvidos destacam que a forma de apresentar a trajetória profissional — evidenciando responsabilidades, resultados e evolução — pode influenciar a percepção de recrutadores e facilitar a transição para vagas com vínculo.
Com informações de G1




