Celso Ribeiro Cavalcanti de Souza converteu o manejo de 1.200 colmeias em uma operação que integra produção, pesquisa e turismo, tornando-se referência na apicultura paulista. Proprietário da Estação do Mel, em Pindamonhangaba (SP), ele alia experiência prática e tecnologia para desenvolver produtos e serviços a partir das colmeias.
Quem e onde
Souza, natural de uma região com tradição apícola próxima ao Instituto Biológico, iniciou o contato com abelhas aos 10 anos, cuidando de uma colmeia de abelhas sem ferrão no quintal de casa. Foi formado como técnico em agropecuária pelo Colégio Agrícola de Jacareí e concluiu graduação em Biologia e Farmácia. Ao longo da carreira, trabalhou por 14 anos na Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), onde participou do manejo de um plantel de seleção genética de abelhas rainhas.
O que faz a Estação do Mel
A Estação do Mel funciona como um case de verticalização da produção. Localizada próximo ao eixo turístico que liga Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, a empresa não só produz mel, pólen e própolis, como também promove atividades voltadas ao público.
Visitantes podem participar de experiências como “um dia de apicultor”, além de cafés da manhã temáticos e dias de campo. A partir dos produtos da colmeia, Souza desenvolveu linhas comerciais que incluem:
- Bebidas: vinho, cachaça e vinagre de mel;
- Cosméticos: shampoos, cremes e sabonetes à base de produtos da colmeia;
- Apiterapia: tratamentos que vão desde a ingestão de própolis até inalação do ar da colmeia e massagens detox com mel.
Contexto e números
O crescimento da apicultura no estado acompanha o avanço do setor: em 2024, a produção de mel em São Paulo cresceu 22%, atingindo a marca de 6.772 toneladas. Dados do Instituto de Economia Agrícola e da Defesa Agropecuária (IEA) apontam a existência de mais de 235 mil colmeias de abelhas africanizadas distribuidas em 1.926 apiários, com produção anual de 5,15 mil toneladas. As abelhas nativas, sem ferrão, somam mais de 30 mil colmeias em mais de 3 mil meliponários.
Em outra referência estatística mencionada, o estado possui cerca de 240 mil colmeias de abelhas africanizadas e mais de 30 mil colmeias de abelhas nativas, conforme levantamento do setor.
Impacto socioambiental
Carolina Matos, especialista ambiental da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), destaca que a expansão da apicultura e da meliponicultura gera ocupação no campo e ajuda a preservar a biodiversidade por meio da polinização. Segundo ela, o avanço dessas atividades em São Paulo mostra a possibilidade de crescimento econômico aliado à responsabilidade ambiental.
A Estação do Mel exemplifica essa convergência entre produção, conservação e oferta de experiências turísticas, ao transformar o manejo de 1.200 colmeias em um negócio diversificado e integrado.
Com informações de Uberlandianofoco




