A BBC anunciou nesta quarta-feira (25 de março de 2026) a escolha de Matt Brittin, ex-executivo do Google, para o cargo de diretor-geral da emissora. Brittin substituirá Tim Davie, que deixou a função no ano passado após a empresa enfrentar um processo de US$ 10 bilhões (R$ 52,6 bilhões) movido pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O processo foi aberto depois que a BBC editou trechos de um discurso de Trump, proferido em 6 de janeiro de 2021, em um documentário exibido pouco antes das eleições norte-americanas de 2024. A alegação foi de difamação, mas a própria emissora defendeu que a ação deveria ser arquivada, argumentando que a subsequente reeleição do presidente indicava ausência de prejuízo à sua reputação. O caso, contudo, continua em trâmite.
Brittin ingressou no Google em 2007 como chefe para Reino Unido e Irlanda e, em 2014, tornou-se presidente da região EMEA (Europa, Oriente Médio e África). Ele deixou a empresa em 2024 e assumirá a direção-geral da BBC em 18 de maio de 2026. A emissora informou que, considerando a experiência limitada de Brittin em funções editoriais e de radiodifusão, será nomeado também um diretor-geral adjunto para apoiar a transição.
Em comunicado, Brittin afirmou que a organização enfrenta riscos importantes, mas também oportunidades, e que será necessário imprimir ritmo e energia para atingir o público onde ele está. Ele disse ainda que pretende usar o alcance, a credibilidade e a criatividade da BBC para enfrentar os desafios e preparar o serviço público para o futuro.
O novo diretor-geral assume em um momento crítico para a BBC, que precisa negociar um novo modelo de financiamento após o vencimento da Carta Régia no final de 2027. Entre as alternativas em análise estão a manutenção da taxa de licença residencial, a migração para um sistema de assinaturas ou a busca por receita publicitária. Além disso, a emissora tem enfrentado queda de audiência, especialmente entre os mais jovens, que migram para plataformas de streaming e serviços digitais, e segue sob intenso escrutínio político quanto à sua imparcialidade.
Ao tomar posse, Brittin terá pela frente a tarefa de reposicionar a BBC diante dessas pressões financeiras, tecnológicas e políticas, preservando a confiança pública na instituição.
Com informações de G1




