Dario Durigan, anunciado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como novo ministro da Fazenda, tomou posse para substituir Fernando Haddad, que deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo. Ex-subchefe da pasta, Durigan chega ao comando sem surpreender o mercado, que recebeu a nomeação de forma positiva até o momento.
Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que o principal papel do novo ministro será manter a disciplina fiscal no ano eleitoral e implementar as diretrizes já traçadas pela equipe anterior. “O Durigan participou ativamente da agenda econômica desde o início. Agora, à frente do ministério, ele deve manter o legado de Haddad, principalmente na sustentação fiscal”, afirma Erich Decat, analista político.
Perfil e experiências
Com passagem pela Advocacia-Geral da União (AGU) e atuação no setor privado, Durigan participou de iniciativas relacionadas ao aumento de arrecadação — incluindo elevações de tributos —, da articulação da reforma tributária sobre o consumo e da renegociação da dívida dos estados. Sua experiência técnica e discreta aponta para uma gestão de continuidade, segundo analistas.
Desafios imediatos
Entre os desafios apontados está a necessidade de assegurar o cumprimento das metas fiscais e evitar sinais que possam abalar a confiança do mercado. “A prioridade é previsibilidade. O mercado não reage bem a mudanças abruptas, então o foco precisa estar na continuidade das diretrizes fiscais e na clareza da execução”, avalia Raphael Costa, administrador e especialista em gestão empresarial do Grupo 220. Costa ressalta que, no curto prazo, consistência costuma valer mais do que inovação.
O governo enfrentará um espaço apertado para gastos discricionários neste ano, o que tende a provocar bloqueios de despesas. O arcabouço fiscal vigente limita o crescimento real das despesas públicas a até 2,5% ao ano, enquanto os gastos obrigatórios crescem acima desse ritmo, comprimindo recursos para investimentos e despesas livres. Além disso, há sinais de esgotamento do arcabouço, que pode motivar debates sobre um novo modelo a partir de 2027, segundo Decat.
Política e Congresso
Apesar da competência técnica, especialistas questionam o peso político de Durigan para liderar pautas complexas. A proximidade das eleições tende a esvaziar o Congresso, tornando a tramitação de propostas mais sensíveis lenta. Entre os temas em andamento está a PEC conhecida como 6×1, que reduz a jornada de trabalho, e o Imposto Seletivo (IS), previsto para atingir produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos poluentes, mineração e apostas, com previsão de entrada em vigor em 2027; ambos devem ter andamento limitado até depois do período eleitoral.
Combustíveis e cenário externo
Um teste real para o novo ministro vem da alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, que pressiona preços do diesel. Na terça-feira (24), Durigan informou que o governo propôs um subsídio aos importadores de diesel de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, com metade do custo arcada pela União e metade pelos estados. Como cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, a alta internacional tende a ser rapidamente repassada aos postos, pressionando transporte e inflação.
Medidas como redução de impostos ou novos incentivos exigem articulação com governos estaduais, o que torna a implementação mais complexa.
Até agora, a troca na Fazenda não provocou turbulências, dada a expectativa de continuidade no curto prazo. O desafio imediato para Durigan será preservar a previsibilidade fiscal durante o ano eleitoral; no médio prazo, o cenário dependerá do ambiente político e das decisões que venham a ser tomadas a partir de 2027.
Com informações de G1




