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sexta-feira, outubro 16, 2026

Brasil tem vantagem estratégica contra choques do petróleo graças aos biocombustíveis, diz The Economist

Biocombustíveis reduzem vulnerabilidade do Brasil a choques globais

A revista britânica The Economist avalia que os biocombustíveis conferem ao Brasil uma vantagem estratégica para enfrentar a atual crise energética global desencadeada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A publicação afirma que o país está melhor preparado do que a maioria para lidar com choques no mercado do petróleo.

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, provocou alta nos preços do petróleo e do gás e elevou o risco de desabastecimento, sobretudo após o bloqueio do Estreito de Ormuz — passagem por onde circula cerca de 20% da energia mundial. No início desta semana, o barril do petróleo tipo Brent voltou a superar os US$ 100, alcançando picos superiores a US$ 110. A incerteza política também tem pressionado cotações: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que haveria negociações em andamento, enquanto autoridades em Teerã negaram qualquer diálogo.

Segundo a The Economist, o Brasil construiu ao longo de décadas “a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo”. A reportagem destaca que esses combustíveis têm papel estrutural na economia brasileira: o etanol e o biodiesel são obrigatoriamente misturados à gasolina e ao diesel em percentuais definidos pelo governo de 30% e 15%, respectivamente, níveis entre os mais altos do planeta.

A publicação ressalta também a composição da frota nacional: cerca de três quartos dos veículos leves são flex, o que permite a operação com qualquer mistura entre gasolina e etanol, inclusive etanol 100%. Esse arranjo reduz a dependência do país em relação a combustíveis fósseis importados e ajuda a proteger a economia contra oscilações de preço no mercado internacional.

Dados citados pela revista indicam que, desde o início do conflito, o preço da gasolina nas bombas brasileiras subiu 10% e o do diesel, 20%, conforme informou o regulador de energia em 20 de março. Embora expressivos, esses aumentos são menores que os saltos de 30% a 40% observados nos Estados Unidos, segundo a revista.

A The Economist lembra que a estratégia remonta aos anos 1970, quando um embargo árabe deixou o país altamente importador de combustíveis — naquela época o Brasil dependia de cerca de 80% do que consumia. A transformação do excedente de cana-de-açúcar em etanol foi adotada como resposta.

O texto também menciona um plano do governo federal, em 2023, para fomentar o biodiesel a partir de oleaginosas, principalmente soja, e observa que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, tem apoiado fortemente os biocombustíveis. A publicação aponta que o presidente os vê como meio de reforçar a soberania energética do país, mesmo sendo um grande exportador de petróleo bruto, e de reduzir emissões de gases de efeito estufa sem conflitar com os produtores rurais.

A revista ressalta, porém, que os biocombustíveis não eliminam completamente os custos gerados pela alta do petróleo. Ainda assim, de acordo com a análise, o Brasil entra na crise em posição relativa de vantagem, capaz de amortecer parte do impacto e possivelmente atrair demanda internacional por alternativas ao petróleo. Países como Índia e Japão já observam o modelo brasileiro para possíveis adaptações.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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