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sexta-feira, outubro 16, 2026

Mel de abelhas sem ferrão pode chegar a R$ 600 o litro; entenda por que é mais caro

TRANSMISSÃO: Globo

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O mel produzido por abelhas sem ferrão, nativas do Brasil, pode custar até R$ 600 o litro, valor bem superior ao do mel de abelhas africanizadas, que gira em torno de R$ 47 o litro, segundo a Embrapa. A diferença de preço se explica pela menor produção dessas espécies, características sensoriais distintas e crescente demanda na alta gastronomia.

Por que o mel sem ferrão é mais caro

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que colônias de abelhas sem ferrão são menores e têm tempo de atividade diária reduzido, o que resulta em volumes menores de mel. Fábia de Mello, pesquisadora da Embrapa, afirma que o mel de abelhas com ferrão custa, em média, R$ 47 o litro, enquanto o produzidos por espécies sem ferrão começam em R$ 120 e podem atingir R$ 600 o litro.

Além da escassez, esses méis têm características organolépticas diferentes: costumam ser mais ácidos e com textura mais líquida devido ao maior teor de água, o que favorece a fermentação natural. O processo de fermentação, o tipo de espécie produtora e o armazenamento em potes de cerume influenciam sabores que, segundo a bióloga Kátia Aleixo, podem remeter a notas de madeira ou queijo.

Essas particularidades explicam a presença crescente do produto em restaurantes de alto padrão, enquanto supermercados normalmente oferecem variedades produzidas por abelhas africanizadas e, muitas vezes, rótulos que não especificam a flor de origem, indicando blends.

Espécies e tipos de mel

No Brasil são conhecidas mais de 250 espécies de abelhas sem ferrão, e cerca de 100 delas são criadas comercialmente, conforme Kátia Aleixo. Ao contrário do mel de abelhas com ferrão, que é identificado pela florada (origem floral), o mel das sem ferrão é rotulado pela espécie que o produz.

Méis de abelha sem ferrão

  • Borá: considerado iguaria; sabor suave com leve salinidade que lembra queijo; indicado para saladas, pratos salgados e carnes leves, como peixe.
  • Jataí: cor clara, sabor suave com leve acidez e aroma que lembra madeira; valorizado por propriedades medicinais e encontrado em várias regiões.
  • Mandaçaia: mel claro, por vezes quase transparente, com sabor suave e toque cítrico; produzido principalmente no Sul e Sudeste.
  • Tiúba (uruçu-cinzenta): sabor bem doce, aparência translúcida e aroma floral marcante; produzido especialmente no Maranhão e no Pará.

Méis de abelha com ferrão

  • Laranjeira: de coloração clara e sabor levemente ácido; comum em São Paulo e Minas Gerais.
  • Eucalipto: tom mais escuro, rico em minerais e tradicionalmente usado como expectorante; produzido nas regiões Sul e Sudeste.
  • Bracatinga (melato): originado de secreções de cochonilhas que se alimentam da seiva da bracatinga, típica do Sul; tem coloração escura, menor teor de glicose e alto teor mineral, segundo a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.).
  • Silvestre: produzido a partir de diversas flores, comum em apiários próximos a vegetação nativa em todo o país.
  • Cipó-uva: quase transparente, produzido principalmente em áreas de Cerrado, como em Minas Gerais.

O mercado brasileiro apresenta grande diversidade de cores, texturas e sabores — do mais doce ao mais ácido —, embora a oferta comercial, especialmente em grandes redes, concentre-se em poucos tipos produzidos por abelhas africanizadas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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