Um levantamento científico internacional aponta que as bitucas de cigarro descartadas nas praias colocaram o Brasil entre os países mais afetados por esse tipo de poluição. O país aparece em 4º lugar no ranking global, com índice de 8,85 resíduos por metro quadrado em trechos do litoral, valor muito superior à média mundial de 0,24.
O que mostra o estudo
O resultado faz parte de pesquisa publicada na revista Environmental Chemistry Letters. Em áreas específicas da costa brasileira, as bitucas chegaram a representar mais da metade do lixo coletado — em alguns pontos o percentual alcançou 66,7% dos resíduos encontrados —, evidenciando o peso desse material no total de detritos na faixa costeira.
Dados e alcance
Segundo o levantamento, as bitucas são o resíduo mais comum no planeta, com estimativa de 4,5 trilhões descartadas anualmente em ambientes urbanos e naturais. Compostas por plástico e outros componentes, elas podem permanecer por décadas no ambiente e liberam substâncias tóxicas ao entrarem em contato com a água. Uma única unidade tem capacidade de contaminar mais de mil litros de água.
Top 10 global de contaminação por bitucas
Irã: 38,32/m²
Chile: 24,11/m²
Tailândia: 13,30/m²
Brasil: 8,85/m²
Uruguai: 8,00/m²
Alemanha: 5,10/m²
Equador: 4,05/m²
Indonésia: 3,32/m²
Lituânia: 1,77/m²
Bangladesh: 1,76/m²
Praias brasileiras com maior presença de bitucas
Boa Viagem (Recife, PE): 8,85/m²
Perequê (Guarujá, SP): 2,64/m²
Porto de Galinhas (Ipojuca, PE): 1,57/m²
Santa Cruz dos Navegantes (Guarujá, SP): 1,04/m
Impactos ambientais e metodologia
O estudo alerta para os riscos ambientais associados às bitucas: cada unidade pode liberar milhares de substâncias químicas, entre elas nicotina, metais pesados e compostos potencialmente cancerígenos, afetando organismos desde microrganismos até espécies superiores na cadeia alimentar. Ambientes aquáticos, especialmente praias, concentram os maiores níveis de poluição devido à intensa presença humana e ao descarte direto na areia, além da dificuldade de remoção desses resíduos.
A pesquisa compilou dados de 130 estudos realizados entre 2013 e 2024, reunindo mais de 2,7 mil registros em 55 países. Os pesquisadores avaliaram a densidade de bitucas por metro quadrado e a participação desse resíduo no total do lixo encontrado, aplicando análise estatística e cruzamento geográfico para identificar padrões, áreas críticas e diferenças entre locais protegidos e não protegidos. Em média, locais com algum tipo de proteção ambiental apresentaram contaminação até cinco vezes inferior às áreas sem proteção.
Cenário global
No panorama mundial, 17 países concentram os níveis mais críticos de poluição por bitucas, com maior incidência em regiões costeiras da Ásia e da América Latina. Em média, as bitucas representam cerca de 12% do lixo encontrado em ambientes aquáticos globalmente, percentual que pode ultrapassar 50% em locais mais afetados. O estudo indica que, apesar de avanços pontuais em áreas protegidas, a contaminação permanece estável em várias regiões, e aponta para a necessidade de ações mais rigorosas de controle, restrições ao consumo e melhorias na gestão de resíduos para reduzir o impacto ambiental.
Com informações de Paranaibamais




