Taxa de abandono escolar no início do ensino médio registra queda significativa
O índice de alunos que abandonaram o 1º ano do ensino médio no Brasil caiu de 3,7% em 2024 para 2,2% em 2025, uma redução superior a 40% em um ano, segundo a 2ª etapa do Censo Escolar divulgada nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O histórico mostra redução consistente: em 2015 a taxa chegava a 8,7% e, dez anos depois, o percentual de 2,2% é o menor registrado na série. No Censo, abandono escolar é definido como o fato de um aluno estar matriculado e deixar de frequentar as aulas ao longo do ano letivo; essa situação é descrita como o primeiro passo em direção à evasão, quando o estudante não se matricula no ano seguinte.
Entre as alterações ocorridas entre 2024 e 2025 apontadas pelo levantamento como possivelmente relacionadas ao recuo do abandono estão três medidas principais:
1. Programa Pé-de-Meia (MEC): criado pelo Ministério da Educação para alunos de baixa renda da rede pública, o programa oferece incentivo financeiro condicionado à continuidade na escola. Quando o estudante confirma a matrícula em janeiro ou fevereiro recebe R$ 200; ao manter pelo menos 80% de frequência sinalizada na normativa, recebe mais R$ 1.800 por ano; e, a cada série em que é aprovado, há um depósito de R$ 1.000 em conta poupança, com saque permitido somente ao final do ensino médio.
2. Implementação do novo ensino médio: o modelo curricular reestruturado em julho de 2024 passou a ser aplicado de forma gradual a partir das turmas do 1º ano. A proposta busca maior personalização da grade, inclusão de componentes técnicos e adaptação aos interesses dos jovens, com a finalidade de reduzir desistências.
3. Expansão da educação integral: os dados do Censo 2025 registraram aumento na modalidade em que alunos cumprem ao menos 35 horas semanais na escola. Especialistas apontam que a jornada estendida pode contribuir para diminuir abandono e evasão ao fortalecer vínculos com a comunidade escolar e permitir mais tempo para reforço pedagógico.
Os responsáveis pela pesquisa ressaltam, porém, que presença na escola não equivale automaticamente a aprendizagem. Relatório do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2025, da ONG Todos Pela Educação, mostra que somente 7,7% dos concluintes do ensino médio alcançaram níveis adequados simultaneamente em português e matemática.
Ao analisar as taxas por estado, a redução no indicador nacional contrasta com realidades locais mais graves: o Acre apresentou 6% de abandono no 1º ano, quase três vezes a média nacional; Amapá e Rondônia também registraram índices acima de 5%.
Os dados do Inep mostram avanço na permanência escolar, mas evidenciam desafios persistentes para garantir que a frequência se traduza em aprendizado.
Com informações de G1




