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domingo, outubro 18, 2026

Fertilizantes disparam com guerra no Oriente Médio, mas alimentos não devem subir agora, dizem especialistas

O aumento expressivo nos preços dos fertilizantes provocado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã deve ter impacto limitado nos preços dos alimentos no Brasil ao longo de 2026, apontam pesquisadores e economistas. A pressão mais imediata sobre os preços ao consumidor, segundo especialistas, vem do aumento dos combustíveis.

Parte das principais safras de grãos já estava colhida ou em fase final quando os preços dos adubos subiram — é o caso do arroz, da soja e das primeiras safras de feijão e milho, observa Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. Por isso, os custos com fertilizantes impactam mais a produção futura do que a oferta já disponível no curto prazo.

O café, cuja colheita começa neste mês, foi plantado em 2025, e as segundas safras de milho e feijão já foram semeadas, o que coloca produtores em alerta para os custos com insumos nas próximas compras. As maiores importações de adubo pelo Brasil ocorrem na virada do semestre, e ainda não há previsão sobre a duração do conflito no Oriente Médio.

Dados do setor mostram alta dependência externa: o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, com destaque para ureia, potássio e fosfatos, segundo André Braz, economista do FGV Ibre. Serigati detalha que o país depende de 90% do consumo de nitrogênio, 96% do potássio e cerca de 80% do fosfatado.

A região do Oriente Médio é o quarto maior fornecedor para o Brasil, atrás da Europa, Ásia e África, e tem papel relevante no mercado global de fertilizantes — responde por 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia, de acordo com a StoneX Brasil — o que torna os preços sensíveis a eventos na região.

Quanto aos efeitos por cultura, Braz afirma que as lavouras mais afetadas serão as que demandam maiores volumes de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio). O milho é citado como especialmente vulnerável no curto prazo por depender de fertilizantes nitrogenados como a ureia. Relatório do Rabobank aponta que, nas três primeiras semanas do conflito, o preço da ureia subiu 46%; considerando o período desde o início do ano até a semana de 20 de março, a alta chega a 76%.

Arroz e trigo também exigem grandes volumes de nitrogênio e podem ver produtores reduzirem área plantada diante do aumento dos custos. A soja demanda menos nitrogênio, mas requer fósforo e potássio em grande escala, o que encarece a reposição de nutrientes do solo. A cana-de-açúcar, por sua vez, usa intensivamente potássio, o que pode elevar custos e afetar produtividade na produção de açúcar e etanol.

As elevações nos preços dos fertilizantes tendem a pressionar a oferta ao longo do tempo por duas vias principais: a redução de área plantada e a queda de produtividade por menor aplicação de nutrientes. Por isso, o efeito sobre os preços dos alimentos tende a aparecer no médio prazo, não de imediato, conforme Serigati.

Ele observa, porém, que o custo dos adubos é apenas um entre vários fatores que determinam a inflação de alimentos — o clima é outro elemento decisivo. Como exemplo, a safra de verão de 2022 foi plantada em contexto de preços elevados de fertilizantes e combustíveis, mas a colheita recorde de 2023, favorecida pelo clima, acabou desacelerando a inflação de alimentos naquele ano.

Na avaliação dos especialistas, hoje o preço do diesel exerce impacto mais direto e imediato sobre o bolso do consumidor, por afetar tanto o uso de maquinário agrícola quanto a logística de transporte e distribuição rodoviária.

As incertezas sobre a duração do conflito no Oriente Médio e a proximidade das próximas importações de fertilizantes mantêm produtores e analistas em atenção quanto aos custos de produção para as safras futuras.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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