Quem: Americanos de diferentes estados, como Kathryn Vaughn, Punal Bhavsar e Caitlin Green, que relatam ajustes em suas rotinas financeiras.
O que: Famílias e trabalhadores têm recorrido a múltiplos empregos, vendas online e cortes de consumo para driblar a elevação dos preços de combustíveis, alimentos e serviços.
Quando: No segundo semestre de 2026, com dados oficiais de inflação referentes a setembro e entrevistas com os citados no período.
Onde: Entre os entrevistados estão residentes do Tennessee, Califórnia e Utah, nos Estados Unidos.
Kathryn Vaughn, de 46 anos, voltou neste semestre ao ensino fundamental em uma escola rural do Tennessee e hoje acumula três ocupações para sustentar uma família de quatro pessoas. Além de atuar como professora de artes, ela trabalha em um programa para jovens em risco e faz outros trabalhos pontuais — medidas que, segundo ela, são necessárias diante da escalada nos custos do dia a dia.
Para reduzir gastos com creche, o filho de cinco anos acompanha Vaughn em um dos empregos, e a mulher busca renda extra vendendo itens em grupos de troca no Facebook, revendendo roupas em plataformas como ThredUp e Poshmark, escrevendo obituários e até fazendo trabalhos de modelo de mãos para uma joalheria local. Ainda assim, afirma que a renda adicional não é suficiente para cobrir todas as despesas.
Punal Bhavsar, de 39 anos, relata que havia planejado comprar uma casa em 2026, mas foi impedido pelo aumento dos preços e das taxas de juros. Ele destaca o impacto do custo da gasolina — que em sua região da Califórnia chega a quase US$ 6 por galão, equivalente a cerca de R$ 8 por litro — e diz que o preço do combustível pode influenciar seu voto nas eleições de meio de mandato em novembro.
A situação econômica é refletida por indicadores: o índice de inflação de setembro registrou alta de 3,7% nos últimos 12 meses, ante 3,4% nos 12 meses até agosto, segundo dados oficiais publicados em 14/10. O Índice Gallup de Confiança na Economia ficou em -40 em setembro, e uma pesquisa do jornal The Guardian no meio do ano apontou que 95% dos entrevistados acreditam que os EUA enfrentam uma crise do custo de vida.
Em Utah, Caitlin Green relata aumento significativo nos preços de alimentos: ela diz ter pago US$ 4,40 por 1 kg de carne moída no passado e agora desembolsar US$ 17,60 pelo mesmo quilo. O casal passou de gastos mensais de cerca de US$ 200 no mercado para aproximadamente US$ 400.
Vaughn também menciona decisões práticas por economia: a compra de material escolar de US$ 130 para o filho de cinco anos, a escolha de que o menino almoce diariamente na escola por ser mais barato do que a marmita e o cancelamento de uma viagem para a Flórida para visitar os pais por causa do preço da gasolina. Ela cita ainda aumentos no seguro e a dificuldade de alimentar a família com os custos atuais.
Os entrevistados descrevem cortes e mudanças de rotina como respostas imediatas à alta generalizada de preços, em um cenário em que energia, combustíveis e alimentos pressionam o orçamento das famílias.
Com informações de G1




