31.6 C
Uberlândia
sexta-feira, novembro 6, 2026

Apple mantém lista secreta com milhares de termos que teclado do iPhone não sugere nem permite digitar por gestos

Apple tem lista interna que limita sugestões do teclado do iOS, diz pesquisador

Quem e o que: A Apple mantém, segundo o pesquisador Derik Kauffman, um arquivo não divulgado com dezenas de milhares de palavras e expressões em vários idiomas que o teclado do iOS não completa automaticamente e que muitas vezes não podem ser inseridas ao usar a digitação por gestos (glide typing).

Quando e onde: A descoberta foi divulgada por Kauffman em 6 de novembro de 2026, após a identificação do comportamento no sistema operacional instalado em iPhones.

Como funciona: A lista não impede que termos sejam escritos manualmente em e-mails ou mensagens, mas, na maioria dos casos, impede que essas palavras apareçam nas sugestões de preenchimento automático e bloqueia a composição por gestos. Kauffman afirmou ter encontrado o arquivo ao investigar falhas no recurso de digitação por gestos, observadas desde setembro, e ter usado modelos de código como Codex e Claude Code para auxiliar na análise.

Conteúdo do arquivo: De acordo com o pesquisador, a maior parte dos itens é composta por vocabulário vulgar, ofensas e referências a drogas, sexo ou violência. Há também expressões de teor político, exemplificadas por “dictator Trump” (traduzido como “Trump ditador”) e “sleepy Joe” (“Joe sonolento”). Outros exemplos apontados incluem “Right wing conspiracy”, “Tibetan independence” e “United Ireland”. A aplicação varia conforme o idioma: em hindi, por exemplo, termos como “Modi braggart” e “Rahul is Pappu” são citados; em francês, “immigration too high”; e em hebraico, “occupied territories”.

Estimativa e testes: Kauffman apresentou uma estimativa conservadora de cerca de 100 mil termos, sem contar caracteres chineses. Reportagem da Reuters testou uma fração das expressões e confirmou que muitas eram difíceis de inserir por gestos ou não surgiam entre as sugestões automáticas, indicando substituições ou correções indesejadas em frases como “United Ireland”, “Tibetan independence”, “white man” e “Sleepy Joe”.

Verificação independente: O engenheiro Matt Suiche, da empresa de cibersegurança Tolmo, disse ter obtido a mesma lista de forma independente e encontrado correspondência próxima entre seus dados e os de Kauffman. Outro pesquisador na Noruega também relatou ter descoberto termos sinalizados, como “al-Qaeda”, “Auschwitz” e “Hooters”.

Posição da Apple: Em resposta por e-mail, a Apple não detalhou o tamanho ou a composição do arquivo nem os critérios usados para sinalizar expressões políticas. A empresa afirmou que os usuários podem digitar palavras ou frases específicas e ignorar as sugestões automáticas, e que o teclado foi configurado para evitar sugestões consideradas inadequadas ou ofensivas.

Reações: David Greene, consultor jurídico sênior da Electronic Frontier Foundation, avaliou a existência da lista como preocupante e defendeu que, se a empresa adota esse tipo de filtro, os usuários devem ser bem informados e ter opção de personalizar o recurso. “Isso não deveria ser secreto”, disse Greene.

O caso amplia debates anteriores sobre previsões de texto em plataformas de tecnologia; no ano passado, a Apple corrigiu um erro que associava a palavra “racista” à menção a “Trump” durante ditado.

Notícia concluída.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também