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terça-feira, outubro 20, 2026

ASAP, brainstorming e mindset: o que significam os principais termos do “corporativês”

Uma ferramenta de tradução que virou sensação nas redes sociais reacendeu o debate sobre o chamado “corporativês” — o vocabulário repleto de jargões, muitas vezes em inglês, usado no ambiente de trabalho. O recurso em questão, chamado “LinkedIn Speak” e disponível no Kagi Translate, emprega inteligência artificial para transformar frases comuns em versões mais formais, no estilo corporativo.

Especialistas ouvidos pelo G1 dizem que o uso desses termos no Brasil reflete a globalização e a influência de multinacionais, sobretudo dos Estados Unidos, berço de muitas metodologias de gestão e inovação. Com o inglês consolidado como língua de negócios, expressões como ASAP, brainstorming, mindset, call, feedback e deadline passaram a integrar o dia a dia de empresas brasileiras.

Apesar de servirem como atalhos para resumir conceitos, esses termos podem dificultar a compreensão entre equipes e criar barreiras internas, avalia Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP). Segundo ela, a intenção de padronizar a comunicação para agilizar processos frequentemente resulta em “ruído e exclusão” quando não há o chamado letramento corporativo — ou seja, quando os conceitos não são explicados adequadamente.

Aere afirma que a falta de entendimento leva a erros e retrabalho porque colaboradores gastam energia tentando interpretar o que a liderança quis dizer, prejudicando o clima organizacional e a produtividade. Ela cita o uso vago de palavras como “feedback”, que nos métodos de gestão tem significado estruturado ligado ao desenvolvimento, mas no cotidiano é tratado por vezes apenas como uma opinião. Para reduzir os problemas, recomenda-se privilegiar o português quando há tradução direta, explicar termos técnicos e estimular um ambiente em que perguntas não provoquem constrangimento.

O executivo Denis Caldeira, da área de tecnologia e negócios, também defende a adaptação da linguagem ao público. Ele alerta para o uso de expressões complexas para descrever ações simples — por exemplo, dizer “vou analisar seu relatório em detalhes” em vez de “vou fazer um deep dive no seu report” — e lembra que termos como “mindset de ownership” podem ser interpretados de formas distintas, gerando frustração se as expectativas não forem claras.

Caldeira acrescenta que a dificuldade de “falar a língua da empresa” pode afetar a saúde mental, provocando ansiedade e sensação de impostor. Ainda assim, reconhece que o corporativês faz parte da cultura de muitas organizações e que, na prática, é comum que colaboradores tentem se adaptar em vez de forçar mudanças na linguagem institucional.

Principais termos do “corporativês”

Alignment (Alinhamento) – quando todos estão na mesma página sobre objetivos e prioridades.

ASAP (o mais rápido possível) – indica urgência; o ideal é especificar um prazo.

Backlog (lista de pendências) – conjunto organizado do que precisa ser feito.

Benchmark (referência de mercado) – comparação com outras empresas para melhorar resultados.

Brainstorm (tempestade de ideias) – momento para sugerir ideias sem críticas.

Briefing (resumo do projeto) – documento ou conversa com as informações essenciais.

Budget (orçamento)

Call (reunião) – conversa, geralmente online, para tratar assuntos de trabalho.

Compliance (conformidade) – cumprimento de leis, normas e regras internas.

Deadline (prazo final)

Deep dive (análise aprofundada)

Deliverable (entregável) – resultado final de um trabalho.

Feedback (retorno) – orientação para melhorar trabalho ou desempenho.

Follow-up (acompanhamento) – verificação do andamento de uma demanda.

Go-live (entrar no ar) – momento em que um projeto começa a funcionar.

Hands-off (pouca intervenção) – gestor dá autonomia e interfere pouco.

Hands-on (mão na massa) – participação direta na execução.

Headcount (número de funcionários)

High level (visão geral)

Hiring (contratação)

Kick-off (início do projeto)

KPI (indicador de desempenho)

Layoff (demissão em massa)

Mindset (mentalidade)

Networking (rede de contatos)

OKR (metas e resultados)

Onboarding (integração)

One-on-one / 1:1 (reunião individual)

Ownership (responsabilidade)

Pipeline (fluxo de processos)

Quick win (ganho rápido)

Report (relatório)

Roadmap (plano futuro)

Sprint (período curto de trabalho)

Soft skills (habilidades comportamentais)

Stakeholder (parte interessada)

Top-down (de cima para baixo)

Touch base (alinhar rapidamente)

Turnover (rotatividade)

Workflow (fluxo de trabalho)

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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