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quarta-feira, outubro 28, 2026

Audiência pública discute impactos e futuro da indústria do lítio no Vale do Jequitinhonha

Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Araçuaí reuniu moradores, representantes da Sigma Lithium, do Ministério Público, da Justiça, lideranças comunitárias e movimentos sociais para debater os efeitos das operações de lítio no Vale do Jequitinhonha e as perspectivas de desenvolvimento regional.

O encontro teve como objetivo ouvir moradores das comunidades próximas à mina Grota do Cirilo e avaliar questões relacionadas a impactos sociais, ambientais e à sustentabilidade dos investimentos no território. A promotora de Justiça de Araçuaí, Úrsula Oliveira, afirmou que o Ministério Público atua para assegurar o cumprimento da legislação e articular o diálogo entre as partes envolvidas.

Segundo a promotora, escutar a empresa e os moradores faz parte do processo de conciliação em prol de um desenvolvimento que respeite normas e direitos. A audiência foi convocada pela juíza Patrícia Bergamaschi de Araújo no âmbito da ação civil pública proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Posicionamento da empresa

Representando a Sigma Lithium, o vice-presidente jurídico Bruno de Albuquerque apresentou relatórios técnicos e indicadores operacionais para responder às dúvidas das comunidades. O executivo ressaltou que a operação cumpre as exigências legais e descreveu a atividade como “limpa e regular”.

Bruno de Albuquerque destacou números e indicadores sociais da companhia: afirmou que a empresa registra mais de 1.000 dias sem incidentes e que a operação gera cerca de 18 mil empregos diretos e indiretos na região. Também citou iniciativas sociais desenvolvidas pela Sigma para contribuir com a transformação local.

A vice-presidente de Relações Institucionais da Sigma, Lígia Pinto, reforçou o compromisso da empresa com a segurança operacional e com a saúde de trabalhadores e moradores. Ela informou que relatórios técnicos e dados médicos não apontaram adoecimento relacionado às atividades da companhia e sugeriu que hospitais locais possam ser consultados para atestar esse quadro.

Vozes da comunidade e da Igreja

Moradores das bases próximas à operação relataram mudanças na economia local e em infraestrutura desde a chegada da mineradora. Cláudia Renata Florentin, da comunidade Piauí Poço Dantas, afirmou que a atuação da Sigma permitiu que residentes permanecessem na região, citando casos de parentes que conseguiram emprego e retornaram de outras localidades.

Moradora de Taquaral Seco, Maria Rita disse morar a cerca de 600 metros da operação e relatou não perceber poeira ou danos às residências. Ela também elogiou a melhora das estradas e da infraestrutura local.

O bispo de Araçuaí, Dom Geraldo Maia, declarou que a Igreja Católica não é contrária à mineração, mas defende que a extração e o uso de matéria-prima ocorram de forma responsável, com atenção aos aspectos socioambientais.

Ampliação do debate

O historiador Higino Pedro chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate público sem cair em polarizações, defendendo a escuta de diferentes atores e a construção de um diálogo informado sobre o futuro do Vale do Jequitinhonha.





A audiência evidenciou as disputas em curso sobre desenvolvimento regional, proteção ambiental, geração de empregos e o papel do Brasil na cadeia de minerais críticos para a transição energética.

Com informações de Gazetadotriangulo

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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