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domingo, outubro 18, 2026

Alerta para viajantes: aumento do querosene de aviação leva especialistas a recomendar compra antecipada de passagens

Especialistas orientam comprar passagens agora após alta de 55% no preço do QAV

O anúncio de um aumento de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) pela Petrobras em 1º de abril fez especialistas aconselharem quem pretende viajar de avião a adquirir as passagens o quanto antes. Segundo técnicos do setor, o reajuste tende a ser repassado aos consumidores em curto prazo.

Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirma que o impacto no preço das tarifas deve se manifestar em até três meses, porque a produção do QAV ainda depende parcialmente de petróleo importado. Ela recomenda a compra antecipada dos bilhetes.

Em março, o combustível já havia subido 9,4%, conforme a tabela de preços divulgada pela Petrobras. Falcão projeta que, apenas em função da elevação do barril de petróleo, as passagens podem subir entre 15% e 20% nos próximos meses. Atualmente, o QAV representa cerca de um terço dos custos operacionais das companhias aéreas; com os reajustes de março e abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) prevê que esse peso chegue a aproximadamente 45%.

Adriano Pires, economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), também estima aumentos de até 20% nas tarifas e alerta que o disparo do preço do combustível pode levar as empresas a reduzir o número de voos, tendência já observada em outros países. Segundo Pires, parte do aumento tende a ser absorvida pelas companhias, com impacto negativo para as finanças delas.

Com as aéreas nacionais operando hoje com menos aeronaves do que em 2019, a ocupação média dos voos já alcança cerca de 90% dos assentos, segundo Falcão, o que pode resultar em voos ainda mais cheios diante da redução de oferta.

O avanço do preço do QAV acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã. Apesar de o Brasil produzir cerca de 80% do querosene usado internamente, o produto segue a cotação global por ser uma commodity, observa Pires, que destaca a ausência de “sobra de oferta” no cenário atual.

No mesmo dia em que atualizou os preços do QAV, a Petrobras anunciou condições de pagamento especiais para distribuidoras: a proposta permite que as distribuidoras comprem com um aumento inicial de 18% e parcelem o restante em até seis vezes, com início das parcelas em julho de 2026. O prazo para adesão à medida deve ser divulgado pela Petrobras até segunda-feira, 6 de abril. Para passageiros, isso pode significar uma diluição do repasse no preço das tarifas.

Falcão pondera, porém, sobre a capacidade da estatal de sustentar um repasse gradual: se a estratégia for feita “em gotas”, a Petrobras pode vir a sofrer e a continuidade dependerá da conjuntura geopolítica internacional.

O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta elaborada pela Secretaria Nacional de Aviação Civil com medidas para aliviar o setor. Entre as sugestões estão redução temporária de tributos incidentes sobre o QAV, diminuição do IOF sobre operações financeiras das companhias aéreas e redução do Imposto de Renda sobre contratos de leasing de aeronaves. Também está em análise a criação de uma linha temporária do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para financiar a compra de combustível.

Adriano Pires ressalta que o transporte aéreo no Brasil é um serviço sem substituto para muitas rotas longas, dada a ausência de malha ferroviária para passageiros e as condições das rodovias, além da dependência do transporte fluvial em parte da região Norte. Para Falcão, a pressão sobre tarifas e operações expõe décadas de negligência estatal no setor aéreo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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