Azzas 2154 anuncia divisão menos de dois anos após fusão
A Azzas 2154, conglomerado formado pelas fusões da Arezzo&Co e do Grupo Soma em 2024 e que reúne marcas como Farm, Hering, Animale e Schutz, anunciou nesta quarta-feira (2) a cisão de seus negócios. A reorganização ocorre menos de dois anos após a criação da companhia e surge em meio a desentendimentos entre os principais blocos de acionistas e deterioração nos resultados financeiros.
O acordo prevê que a operação seja desmembrada em duas empresas independentes: a Arezzo&Co, liderada pelo bloco de Alexandre Birman, e a SOMA, sob o comando do bloco de Roberto Luiz Jatahy. Ambas deverão ser listadas no Novo Mercado da B3 e terão estruturas próprias de administração e governança.
Além disso, a reorganização prevê a criação de uma sociedade específica para reunir a Farm e suas extensões, com participação de 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da SOMA.
Conflitos societários e mudanças na gestão
O processo de separação ocorre após um período de fortes divergências entre os dois grupos de acionistas e sucessivas alterações na alta administração da Azzas 2154. Desde maio de 2025 houve uma série de trocas: o empresário Guilherme Benchimol renunciou a seu assento no conselho, e André De Vivo assumiu a vaga; em junho foram nomeados Nicola Calicchio Neto como presidente e Marcel Sapir como vice do conselho, em substituição a Pedro Parente e Anna Chaia. Outros executivos também saíram, entre eles Rony Meisler, fundador da Reserva, e posteriormente o próprio Calicchio Neto, que deixou a presidência do conselho um ano após a posse.
Desempenho financeiro
Os resultados da companhia também mostraram deterioração. No segundo trimestre deste ano, a Azzas 2154 registrou lucro líquido recorrente de R$ 106,5 milhões, queda de 62,5% em relação ao mesmo período de 2025. Esse lucro, porém, foi superior ao do primeiro trimestre, quando o resultado recorrente havia sido de R$ 63,9 milhões. A melhora entre trimestres ocorreu apesar da redução na receita líquida e foi atribuída principalmente à melhora da margem bruta e do resultado financeiro.
No primeiro trimestre do ano, o lucro líquido havia recuado 45,7% em relação ao mesmo período de 2025, passando de R$ 117,7 milhões para R$ 63,9 milhões.
Disputa judicial entre sócios
Em maio, Jatahy entrou com ação judicial contra Birman para impedir mudanças internas promovidas pelo então presidente da companhia. A Justiça acatou o pedido e determinou que a empresa não poderia alterar sua estrutura interna naquele momento, mantendo Jatahy responsável pelas unidades de vestuário feminino e masculino. Birman tentou reverter a decisão, mas teve o pedido negado.
A companhia afirmou ter sido “surpreendida” pela existência do pedido judicial protocolado por Jatahy. Em nota aos investidores, o diretor financeiro corporativo Eric Alexandre Alencar declarou: “A companhia buscará acesso às informações pertinentes relacionadas à referida ação e tomará medidas que sejam aplicáveis”.
Origem e porte do grupo
A fusão de 2024 entre Arezzo&Co e Grupo Soma formou um dos maiores grupos de moda do país, com mais de 30 marcas, cerca de 2 mil lojas e faturamento conjunto estimado em R$ 12 bilhões. As empresas atuavam de forma complementar, com a Arezzo&Co concentrada em calçados, bolsas e acessórios e o Grupo Soma com força no vestuário.
Com a cisão, as marcas e operações serão reorganizadas entre as duas companhias resultantes, seguindo a estrutura definida no acordo de separação.
Com informações de G1




