O Banco do Brasil comunicou ao Tribunal de Contas da União (TCU), por meio de ofício remetido na quarta-feira (11), que não possui interesse em federalizar o Banco de Brasília (BRB). No documento, enviado esta semana, a instituição afirmou não dispor de estudos, notas técnicas, grupos de trabalho, deliberações internas ou quaisquer atos preparatórios que indiquem intenção de assumir o controle do BRB.
A resposta do Banco do Brasil atende a um pedido do ministro do TCU Bruno Dantas, que abriu prazo de 15 dias para que bancos públicos federais e o Ministério da Fazenda informassem se chegaram a cogitar ou analisar a possibilidade de “federalização” do BRB. O prazo continua em curso e, até a publicação desta reportagem, outros órgãos ainda não haviam apresentado retorno.
O TCU requisitou informações específicas a cada um dos órgãos acionados. Ao Banco do Brasil e à Caixa, o tribunal pediu eventuais estudos, notas técnicas, grupos de trabalho, deliberações internas ou qualquer outro ato preparatório relacionados a análise de aquisição, participação societária, operação de crédito, modelagem de solução ou absorção/federalização do BRB. Ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), solicitou pleitos, consultas ou demandas formais ou registradas sobre estruturação de garantias, modelagens ou linhas de financiamento ligadas ao saneamento financeiro do BRB. Ao Ministério da Fazenda, incluindo o Tesouro Nacional quando aplicável, requereu registros sobre iniciativas, grupos de trabalho, notas técnicas, despachos ou tratativas acerca de alternativas envolvendo o BRB e eventual estimativa preliminar de impacto fiscal para a União/Tesouro Nacional em caso de assunção de responsabilidades.
A demanda por esclarecimentos foi motivada pelo contexto de fragilidade patrimonial do BRB após uma série de operações malsucedidas com o Banco Master, cujas irregularidades foram tornadas públicas pela operação Compliance Zero da Polícia Federal, em novembro de 2025. Em paralelo às tentativas do BRB de recompor seu patrimônio e melhorar a qualidade dos ativos, passaram a circular rumores de que instituições federais poderiam intervir para preservar as operações do banco, o que resultaria na perda do governo do Distrito Federal do controle acionário do BRB.
No despacho, Bruno Dantas justificou a solicitação ao apontar a “materialidade potencial elevada, considerada a ordem de grandeza dos valores” envolvidos e o “risco de efeitos relevantes sobre o patrimônio público federal”. O ministro também observou que, em operações de reestruturação bancária ou soluções de capitalização, é comum a existência de atos preparatórios e registros de governança que antecedem a formalização final e que muitas vezes ocorrem sob sigilo.
Em entrevista ao jornal em 25 de fevereiro, o secretário do Tesouro e presidente do conselho de administração da Caixa, Rogério Ceron, declarou que a instituição acompanha a situação do BRB como uma eventual “oportunidade de negócio”.
Até o momento, o Banco do Brasil afirmou não ter qualquer ato preparatório relacionado à federalização do BRB, conforme o ofício encaminhado ao TCU.
Com informações de G1




