A corretora Binance informou nesta sexta-feira (30) que os investimentos de seus clientes no Brasil seguem protegidos, mesmo depois do ataque hacker que levou ao desvio de US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões) em criptomoedas. Em comunicado, a empresa destacou que os ativos dos usuários brasileiros estão mantidos em cold wallets, sistemas de armazenamento desconectados da internet que adicionam uma camada extra de segurança.
A Binance também disse observar os requisitos do Banco Central do Brasil quanto à separação dos recursos dos clientes e os recursos da própria empresa. Como medida preventiva, a plataforma suspendeu temporariamente os saques de criptomoedas para realizar uma verificação minuciosa de segurança, sem informar uma data definida para a retomada dessas operações. Segundo a exchange, os demais serviços seguem operando normalmente.
Impacto no mercado e posicionamento da empresa
A notícia do roubo provocou queda nos preços dos principais criptoativos e repercussão nos mercados tradicionais. Por volta das 14h desta sexta, o Bitcoin e o Ether caíam mais de 5%, cotados a US$ 77.212,60 (R$ 416,9 mil) e US$ 2.245,39 (R$ 12,1 mil), respectivamente. O BNB, ligado à Binance, recuou 6%, para US$ 700,80 (R$ 3,8 mil). As ações da Coinbase caíam mais de 13% e as da Strategy, grande investidora em Bitcoin, recuaram mais de 8%.
A exchange informou que está trabalhando com autoridades policiais internacionais, incluindo o FBI e o Serviço Secreto dos Estados Unidos (USSS), segundo apuração da Reuters. A empresa afirmou ainda que espera retomar o serviço de saques nas próximas 45 horas, conforme atualização divulgada.
O que se sabe sobre o ataque
Pesquisas de empresas que monitoram movimentações em blockchain, como TRM Labs e Chainalysis, apontam suspeita de envolvimento de hackers vinculados à Coreia do Norte, embora a Binance tenha dito que sua investigação interna ainda não identificou os responsáveis. Cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) dos fundos desviados já foram localizados, e parte desses valores foi bloqueada com apoio de outras empresas do setor, mas isso não equivale à recuperação integral dos recursos.
Em uma primeira linha de apuração, a corretora suspeitou que a invasão tenha começado a partir do computador de um engenheiro, o que poderia ter permitido acesso aos sistemas. Posteriormente, a empresa informou ter encontrado outras falhas de segurança que podem ter sido exploradas. Relatórios técnicos indicam que os criminosos comprometeram o sistema responsável por autorizar transferências, e a maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, por volta das 17h (horário de Brasília), com rápida movimentação dos ativos para dificultar rastreamento e bloqueios.
Celso Camilo, doutor em Inteligência Artificial pela Universidade Federal de Goiás (UFG), afirmou que o incidente não significa automaticamente que todos os investidores em criptomoedas terão perdas diretas por falhas em outras plataformas, mas ressaltou que um episódio dessa magnitude afeta a confiança do mercado e pode levar à desvalorização dos ativos, impactando investidores mesmo fora da Binance.
A empresa pediu desculpas pelos transtornos causados e reiterou que a segurança dos ativos dos clientes é prioridade, comprometendo-se a manter padrões rigorosos de proteção e a cobrir eventuais perdas decorrentes do incidente enquanto as investigações continuam.
Com informações de G1




